A vida é uma casa alugada, e nós somos apenas inquilinos. Ainda assim, vivemos como se fôssemos proprietários da existência, cheios de marra, egoísmo, vaidade e soberba, como se o mundo nos devesse alguma coisa e o amanhã fosse uma propriedade registrada em nosso nome.
Esquecemos que as paredes que hoje nos abrigam não nos pertencem, que o chão sobre o qual firmamos os pés pode desaparecer sem aviso e que, a qualquer instante, podemos ser despejados desse breve contrato chamado vida.
O ser humano acumula bens, alimenta o orgulho, ergue o próprio nome acima dos outros e, muitas vezes, humilha o semelhante para se sentir maior. Mas de que vale toda essa arrogância se nenhum de nós possui a escritura da própria existência?
A morte não consulta nossas posses, não negocia com a vaidade e não se curva diante da soberba. Ela nos recorda que somos passageiros, não donos; administradores de um tempo que não controlamos, habitantes de um mundo que continuará existindo quando já não estivermos aqui.
A maior ilusão do homem é acreditar que possui tudo, quando, na verdade, nem sequer pode garantir o próximo instante.
Por isso, que a humildade nos ensine a respeitar, que o amor nos faça acolher e que a consciência da nossa finitude nos livre da necessidade de nos sentirmos superiores a alguém.
Afinal, se a vida é uma casa alugada, que não sejamos lembrados pela arrogância com que ocupamos o espaço, mas pela humanidade com que tratamos aqueles que dividiram conosco essa morada temporária.
Porque, no fim, não levaremos as chaves, os títulos ou as riquezas. Levaremos apenas aquilo que fomos, e as marcas que deixamos na vida de quem caminhou ao nosso lado.
Edidania 🌹