Nossa liberdade
Que nossos "superiores" tratam ela como caridade
Pq não percebem que isso é crueldade?
Todos sabem que já está exaustivo lutar
Tantas mulheres presas querendo se libertar
Dessa forte repressão
Desse imposto padrão
Tantas garotinhas querendo poder finalmente chorar
No colo dos pais desabar
Perdão, não é a palavra certa nessa situação
Onde vivo, pai é patrão
Pois viver aqui é missão
Sem nenhuma arma, só com a miséria e restante ambição
Se demonstrarmos algo querer
Nossos sentimentos, nosso jeito de ser
A inocência de algo tão simples ansiar por ter
Podem nos fazer sofrer
Nos fazer deixar de sentir esse querer
Eles dizem "mas oque merecemos querer?"
O querer de andar nas ruas sem de um pano para se esconder?
O querer de aprender?
O querer de falar?
O querer de respirar?
O querer da essência da vida inspirar?
Sem sentir que poderá ser seu último expirar
Essa sensação podre
Da nossa vida não ser algo sobre
De não sermos dignas nem de sermos algo pobre ou podre
Pq o que nós realmente somos vocês recobrem
Como se a riqueza de vocês fosse aumentar com esses atos esnobes
Já que o Talibã vai ver a essa luta que resisti
Agora provavelmente será meu fim
Mas como toda guerra tem um estopim
Ela pode acabar com uma revolta assim
Não precisa ser grande
Mas se forem muitas, pode transformar essa repressão em algo distante
E quando tudo acabar ao vencermos
Veremos lá atrás, o nosso primeiro passo feito
E poderemos falar para perguntar a eles peito com peito
Quem agora não merece respeito?