Grasnidos gorgolejantes e graves ouvem-se à distância — corvos.
Parado à sua frente, eu sei: não há mais volta.
Você apodrece por dentro e por fora.
Seu corpo adquire aparência doentia:
bochechas fundas, maçãs salientes,
a pele — pálida, manchada de negro.
Frágil e mirrado, agora.
Remédios e drogas não te curam — te adoecem mais, meu amor.
Morto. Morto. Morto.
Você já é um cadáver agora e nem percebe, não é?
Este peso negro, encostado em você
como se já fizesse parte de você,
está em sua carne, em seus ossos.
Não importa quantos banhos tome,
este odor miserável não sairá.
Ontem ainda sorria.
Hoje não se recorda de nenhum dia feliz.
Os corvos imitam as vozes interiores de sua cabeça —
estas, tão perdidas quanto eles.
O ar ao seu redor, agora macabro e sofrido,
antes era leve e acolhedor.
O Ceifador, com sua atmosfera densa e aterrorizante, te espera.
Colher sua alma é tudo o que resta agora.
Meu bem, a morte é uma bênção, comparada à sua vida neste momento.
Aceite-a de bom grado.