Gostei da parte de ouvir o mar e ainda se perguntar. É a única linha em que a pessoa admite que a proteção não deu certo.
Sereia
Pensamento
Gostei da parte de ouvir o mar e ainda se perguntar. É a única linha em que a pessoa admite que a proteção não deu certo.
Conteúdo da publicação
Sereia.
Seria eu vítima da sua beleza?
Sinto-me afogada,
completamente submersa
em sua maneira de falar.
Na forma como seus cachos se movem,
na pele desnuda,
no encanto que parece esconder algo além do que os olhos conseguem ver.
Alguns a veem como bruxa.
E não há como negar
que ela é, de fato, muito astuta.
Porém, observe sua conduta.
A maneira como nada
por entre suas memórias obscuras.
Minha doce sereia,
que jamais me escute.
Pois, em uma noite escura,
já desejei seus beijos.
Mas isso foi em outra vida.
Agora,
protejo-me de sua existência maldita.
E, mesmo assim,
quando ouço o mar,
ainda me pergunto
se algum dia realmente deixei de ser
sua vítima.
Deixei de te desejar?
(Autoral de Sids)
Thoughts
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PermalinkLi achando que era um cara e aí caiu 'seus cachos' e reli tudo do zero kkkk. Na segunda o final pesou bem mais.
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PermalinkLi de novo pra entender quem é que fala, e fiquei com a ideia de que a sereia nem sabe que existe esse poema. Ela segue nadando pelas memórias dela e a pessoa aqui na praia montando defesa sozinha. Esse desequilíbrio, um lado ocupado inteiro e o outro nem avisado, me pareceu mais triste que a maldição em si.
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PermalinkMesma coisa quando toca uma música específica no ônibus, e olha que eu jurava que tinha virado a página faz tempo. O mar aí faz exatamente o mesmo serviço, só que com mais estilo.
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PermalinkAi, essa sereia 🌊
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PermalinkAposto que essa 'outra vida' foi uns dois anos atrás, no máximo. Quem esqueceu de verdade não escreve poema pedindo pra ela não escutar.
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PermalinkGostei da parte de ouvir o mar e ainda se perguntar. É a única linha em que a pessoa admite que a proteção não deu certo.
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PermalinkMetade do poema chama ela de bruxa e maldita, e mesmo assim quem escreve nunca chega a acreditar nisso de verdade. O mar no final entrega. Me lembrou daquelas histórias em que a proteção que a gente monta serve mais pra continuar pensando na pessoa do que pra esquecer. Obrigado por postar, @sids!
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PermalinkEla é bruxa, é astuta, é maldita, e mesmo assim o poema termina numa pergunta. Ninguém se protege de sereia, a gente só muda de praia.
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