Capítulo-1. "Ajoelhado em frente à rosa"
Em um tempo não tão distante, onde até mesmo a morte era comum nesse mundo, e nascer vilão¹ é o mesmo que ter uma vida jogada fora. Dentro dessa realidade, um jovem de nome Christopher, nascido como vilão e, além disso, órfão, vivia em uma pequena cabana velha no campo que foi herdada do seu falecido avô. E esse mesmo jovem é o qual tem sua própria vida odiada. Que vida cruel: alguém nascido vilão, que perdeu seus pais enquanto ainda era criança e, logo após, o seu avô, que faleceu um pouco antes de ele chegar aos seus 17 anos. E por causa desse homem é que ele vive essa vida medíocre, numa cabana caindo aos pedaços e também sem rumo para sua vivência.
Christopher, dentro de sua casa, senta-se em uma cadeira em frente à janela e começa a pensar em como pode mudar esse destino que o fez ter essa vida. Mas, enquanto ele pensava, ele lembra que ao lado da residência havia um canteiro de rosas, não muito grande, mas bem chamativo. Esse canteiro foi deixado por seu avô antes de morrer. Ele pediu para que Christopher cuidasse desse mesmo jardim, porque era algo muito importante para ele. Mas Christopher não entendia o porquê de seu avô cuidar tanto daquelas rosas. Ele nunca nem mesmo pensou em lhe dizer um motivo para isso. Mas, como foi algo do seu avô, ele tenta manter aquele jardim bem e carrega consigo esse legado.
Ele para de pensar nisso por um momento para fazer sua refeição antes de ir para o trabalho no vilarejo. Mas, depois de reparar nos alimentos que estavam armazenados no fundo de um balcão, havia apenas um pão perto de estragar e uma laranja que, pelo menos, não estava em más condições. Que refeição sofrida... Ele poderia ter uma vida mais desejável se vivesse na cidade, mas ele sabe que morar por lá traria um risco muito maior para si mesmo, e é por isso que ele nunca tentou realizar esse desejo.
Agora cheio de energia, caminhou até a porta, abriu-a e saiu caminhando enquanto ainda era cedo para chegar à sua labuta. Christopher trabalhava diariamente na colheita e na criação de animais na vila, junto a outros moradores, tudo isso para receber míseras 2 moedas de cobre semanalmente. Era um cargo que, com toda certeza, não valia a pena exercê-lo, já que esse dinheiro mal cobre a refeição de 3 dias. Mas isso é necessário para sua sobrevivência como vilão.
Em mais um dia qualquer de trabalho, Christopher já está cansado depois de longas horas trabalhadas naquele dia. O lado bom é que já está perto de anoitecer, ou seja, brevemente ele poderá ir para casa e finalizar o seu serviço daquele dia. Ele continua coletando as batatas que vinham pela frente na terra levemente úmida. Enquanto ele fazia isso, um grupo de colegas de trabalho aparece ao fundo, mas Christopher não nota suas presenças, mas eles parecem estar tramando algo. Os homens pensam em arruinar a vida do jovem garoto, pregando uma peça nele. Eles roubam todos os alimentos armazenados em alguns barris ao lado de um depósito. Além de roubar, depois vão até Christopher para o próximo passo da armadilha.
— Olá, Christopher, como vai, cara? Deve estar cansado, não? Deixa eu te ajudar coletando um pouco de frutas! — disse Jack.
— Olá, Jack, agradeço de verdade! — respondeu Christopher.
Mas Jack, na hora de ajudar, acaba derrubando alguns vegetais propositalmente, e quando Christopher se abaixa para pegar, Jack aproveita esse momento e pega o amuleto de rosa preso na roupa do jovem sem ele perceber. Depois disso, ele ajuda Christopher a organizar os vegetais caídos e Jack escuta seus amigos chamando-o para voltar.
— Desculpa, Christopher, eu queria te ajudar mais, mas tenho que ir — disse Jack.
— Não precisa se preocupar, Jack, tá tudo bem, pode ir! — respondeu Christopher.
Jack volta comemorando que conseguiu roubar o amuleto de Christopher, e agora vai deixá-lo na cena do crime, para incriminar o inocente garoto de ter roubado os alimentos.
Christopher terminou finalmente seu serviço, mas bem na hora em que ele começa a se preparar para voltar para casa, aparece o seu chefe com seu amuleto na mão. Ele reconheceria de quem é aquele amuleto sem problema algum.
— Christopher, eu encontrei esse seu amuleto perto do depósito — disse o chefe.
— Nossa, chefe, eu nem sabia que tinha perdido, obrigado por me devolver — respondeu Christopher.
Nesse momento, o chefe diz rigorosamente:
— Não pude acreditar que você tenha feito aquilo, Christopher — diz isso enquanto joga seu amuleto na água do rio ao lado.
— CHEFE! Por que você fez isso? O que foi que eu fiz? — disse Christopher.
— Não quero saber de desculpas, você não trabalha mais nesse lugar, não apareça aqui novamente! — disse o chefe.
Christopher corre para recuperar seu amuleto.
— Eu espero que não tenha caído muito fundo, esse amuleto é muito importante pra mim, é uma lembrança do meu avô!
Ele passa horas procurando, mas totalmente cansado encontra o amuleto todo sujo de terra. Ele expressa um sentimento de alívio com um leve sorriso no rosto. Só que essa expressão logo desaparece do seu rosto quando ele lembra que agora não tem mais um trabalho para se sustentar, mas agora não há mais o que possa ser feito.
— Acho que só me resta voltar para casa agora, posso descansar e pensar melhor amanhã sobre isso.
Ele, totalmente cansado, chega finalmente em casa, mas antes de entrar ele nota uma diferença no jardim, iluminada por uma lamparina ao lado do lugar. Lá no meio das rosas, tinha algo que era diferente, parecia uma rosa... sem cor? Ele se aproxima para olhar mais de perto e começa a pensar em quando aquela rosa surgiu ali. Ele vai o mais rápido possível pegar um regador para regar aquela planta, ele joga um pouco de água esperando alguma mudança, mas nada acontece.
— Você é diferente, não é, rosa? Como você se sente? Você não quer ser como as outras rosas? As outras, com uma cor mais atraente, parecem mais vivas. Mesmo você não tendo essa vitalidade como elas, por que você ainda continua de pé?
Ele cai de joelhos na grama em frente àquela rosa e começa a chorar levemente, depois se deita no chão e olha para cima. Está lá uma grande lua cheia no céu, ela não brilha tanto quanto o sol, mas se não fosse por ela quem enxergaria a noite? Christopher se levanta, entra em casa, fecha a porta e deita em sua cama para finalmente descansar, ele não aguentava pensar em mais nada.
O dia amanhece, Christopher ainda está deitado em sua cama, apenas olhando para o teto. Ele se levanta um pouco, faz uma pequena refeição, mas pensa que seus recursos estão acabando, então isso não vai durar para sempre. Uma semana repetitiva se passa e ele se levanta novamente, mas ao olhar no balcão, Christopher percebe que lhe resta apenas um único pão. Mas ele senta mesmo assim para fazer sua última refeição, quase desistindo da vida naquele momento. Depois de comer, ele sai um pouco para fora ainda de manhã para poder tomar um ar, sua vida não tem mais sentido mesmo... Ele vai até o jardim e, como já era esperado, todas as rosas murcharam. Christopher olha para elas, mas sua expressão não parece mudar. Aquelas rosas desistiram de viver assim como ele. Mas espera... Aquela rosa...
— É aquela rosa... Por que você ainda está aí? Era para você ter murchado, assim como as outras fizeram. Por que você não desistiu de viver, assim como eu? Entendo... Você não quis ser como elas, porque já sabia do destino delas. Mas como você sabia? Ah, você nunca soube? Apenas continuou lutando, fez algo que todas as outras rosas não fizeram. Você não é como as outras rosas — diz Christopher enquanto cai em lágrimas.
Ele se ergue, abre um pequeno sorriso no rosto. Parece que novos planos estão por vir...
Vilão - nome dado a moradores de vilarejos e que viviam em más condições, diferente de moradores das cidades que pertenciam a um rei.