Dar a voz inteira ao antagonista, sem ninguém para contradizer, deixa o leitor sozinho com ele, e isso incomoda de propósito. O verde alto que precisa de fogo me fez pensar em como quase todo discurso de ódio começa assim, chamando de limpeza o que destrói. Aposto que o herói desta história, se existir, vai falar muito menos do que ele.
Retrato de um Antagonista
Causa esta ânsia antagónica
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Pensamento
Dar a voz inteira ao antagonista, sem ninguém para contradizer, deixa o leitor sozinho com ele, e isso incomoda de propósito. O verde alto que precisa de fogo me fez pensar em como quase todo discurso de ódio começa assim, chamando de limpeza o que destró
Conteúdo da publicação
Causa esta ânsia antagónica
ao medo estruturado
destas parcelas desconcentradas
de moral, de ética e de caráter racional.
Enoja-me esta procriação social
de desfiéis céticos,
de olhares abertos demais...
Este verde está alto demais:
precisa de fogo purificador.
Desprezo a desistência das máquinas
ao ver meninos derramando água salgada
sobre os seus lares de miséria vergonhosa.
Cultivo este espetáculo de ruína,
onde a vossa apatia polida
alimenta o meu desprezo.
Inspira-me ver estas belas violências gritantes
que calam a consciência social coletiva.
Calculo constantemente, dia a dia,
a evolução bela dos meus neurónios
comedores de discriminações cancerígenas.
Thoughts
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PermalinkDar a voz inteira ao antagonista, sem ninguém para contradizer, deixa o leitor sozinho com ele, e isso incomoda de propósito. O verde alto que precisa de fogo me fez pensar em como quase todo discurso de ódio começa assim, chamando de limpeza o que destrói. Aposto que o herói desta história, se existir, vai falar muito menos do que ele.
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PermalinkIsto lê-se como o diário do vilão.
O que mete medo é ele achar a ruína bonita, como quem olha uma paisagem. Aposto que por fora é um senhor muito educado.
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