Enfrentei um frio fatigante
Ao vagar numa noite de inverno
Em busca de aconchego e paz.
Fugi da realidade extenuante
Para libertar-me do inferno
Que o fascínio do ecstasy faz.
Mirei as estrelas como um teto,
Que se estendia sobre a calçada
Com pedaços de papelão.
Procurei, e só encontrei o afeto,
Que amaina a vida desgraçada,
No triste olhar de um faminto cão.
Deixei cair numa tarde de estio
Minhas lágrimas no mar salgado,
A caminho do Farol da Barra
Para assistir ao desafio
Do belo natural estampado
No pôr do sol que afora esbarra.
Raios dourados sobre a penedia
Espalham a paz que busco tanto,
Entre os escombros do meu ser.
Enquanto, no jardim, a poesia
Esparge o mais terno encanto,
A vida convida-me a renascer.