Esses rastros na areia que a gente deixa. A gente passa por uns quantos lugares até perceber que nada fica.
Rastros na Areia
Pensamento
Esses rastros na areia que a gente deixa. A gente passa por uns quantos lugares até perceber que nada fica.
Conteúdo da publicação
O branco das espumas flutuantes
Vem de repente, boiando à toa
Junto à canção, que a vaga entoa
Mil vezes, fatigada e extenuante.
Deixei na areia minhas pegadas;
Sem direção, caminhando ao léu
Estendi o olhar entre o mar e o céu
Sob rasantes de aves em revoadas.
Da bela morena do mar de Caymmi,
A onda levou os rastros da areia,
Enquanto o encanto do canto da Sereia
Fez o vento soprar os ramos do vime,
Espalhando fibras brancas no ar
Na manhã pueril da primavera
Em que a abelha visita a antera
E um barco singra no azul do mar.
Thoughts
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PermalinkRelendo o passado é tipo isso: os rastros que a gente deixou já não são mais nossos. A onda levou e a gente virou outra pessoa.
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PermalinkEsses rastros na areia que a gente deixa. A gente passa por uns quantos lugares até perceber que nada fica.
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PermalinkEssa ideia de deixar rastros que a onda leva sem deixar nada de verdade. E aquele final com o barco singra no azul do mar tem algo de resignado e bonito nisso: a gente compreende que passa pelo mundo e a marca que deixa também passa. É disso que você está falando quando escreve sobre a areia: tudo é flutuante e efêmero, nada fica.
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PermalinkDeixar rastros e a onda levar tudo. Tem algo de assustador nisso, de a gente nunca deixar nada que fica.
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