TODOS ME CONHECEM
Todos me conhecem,
mas, afinal, falo e falo,
parece que todos são surdos.
Presos a likes e comentários,
bajuladores presentes,
mas, no fundo, fazem perguntas
que eu ouço
para ajudar.
Tanto queria rezar,
tanto queria um canal,
um hospital...
Mas vejo um mundo alienado,
vivendo na escuridão,
sem luz.
Tão somente eloquentes,
como mulheres em partos,
agonizando.
Mas o que se pode fazer
com uma ferida
para não ser mais uma história?
Apenas sou vista
como chatinha,
tia,
feia,
até linda.
Vai de cada personalidade
que busca alguma coisa.
No celular,
mas, no fundo,
busca a escuridão,
não a luz.
O que faz ter TV,
computador ou celular?
Qual é a razão
de ser cada vez mais jovem digital,
sem estrutura,
nem palavras exatas,
sábias e justas,
até mesmo palavrões?
Sou dividida em hierarquias:
pobre, miserável e rico.
Mas, afinal,
gosto de uma boa conversa.
Bons conselhos são poucos.
O que se busca na oração?
Apenas pequenos vídeos
que me fazem aparecer
por algo que é só fama.
Apenas se divertir,
ser cópia,
sem imitação barata
ou CD pirata.
Por que você fala, fala, fala?
Todos conhecem sua história.
Logicamente, há um tempo.
Ninguém mais suporta
ouvir seus testemunhos,
porque você caiu na rotina
e virou mais uma piada digital.
Apenas me vejo,
me reconheço,
me perco
e me acho.
Aquilo que vivo
é dia após dia.
Fazer bem
ou fazer mal...
Comenta, curte,
apenas silencia
e paga.
Porque o que aconteceu ontem
já não existe mais.
Hoje é hoje,
porque hoje
já virou passado.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho