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RASTREADORES - Capítulo 7 - INDECISÃO

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Mais um capítulo para quem acompanha Rastreadores.

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Pensamento

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soleioanoite

Uai, a Suzane conseguiu a conta no fórum servindo de cobaia pras invenções do Danilo, e logo em seguida aparece um rumor de artefato que dá habilidade pra gente comum. Aposto que é por ela que essa sala vai virar problema, bem mais do que pelo dinheiro do

Uai, a Suzane conseguiu a conta no fórum servindo de cobaia pras invenções do Danilo, e logo em seguida aparece um rumor de artefato que dá habilidade pra gente comum. Aposto que é por ela que essa sala vai virar problema, bem mais do que pelo dinheiro do Mike. A cara da Cecil no final já mostra que ela percebeu isso antes de todo mundo.

Conteúdo da publicação

Mais um capítulo para quem acompanha Rastreadores.

--*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

Danilo continuava confuso com a explicação de Mike.

A tal Sala Desconhecida, descrita por Mike como algo quase sobrenatural, parecia ter uma importância enorme para o cliente e antes de chegarem até eles, outras equipes já haviam sido procuradas.

Pelo menos, era essa a versão que ele contava.

Ele parecia realmente confiar na capacidade de Marcelo para encontrar a Sala, mas havia alguma coisa estranha na forma como apresentava aquela missão. Era como se uma parte importante da história estivesse sendo cuidadosamente deixada de fora.

Em todo o tempo que trabalhavam como rastreadores, nunca tinham ouvido falar de nada parecido.

O fato de Mike só ter indicado o grupo de Cecil agora tornava tudo ainda mais suspeito.

Por que não tinham sido chamados desde o início?

Por que ele enviara outros rastreadores antes deles?

O problema era que nenhum deles tinha como saber.

Até poucos minutos atrás, sequer conheciam a existência de uma sala que, aparentemente, mudava de lugar.

E a informação seguinte conseguiu tornar tudo ainda mais estranho.

— Essa Sala, ao que tudo indica, aparece por algum tempo e depois desaparece.

Marcelo franziu a testa.

— Por quanto tempo?

— Não temos como saber. Segundo o cliente, ela pode desaparecer por alguns meses ou até anos.

Marcelo ficou pensativo.

— Isso pode ser só uma lenda que alguém inventou.

— Ou são alienígenas… — sugeriu Danilo. — Eles vêm à Terra, fazem seus experimentos e depois voltam para o planeta deles.

Mike soltou uma risada abafada. Já conhecia Danilo o suficiente para não se surpreender com aquele tipo de teoria.

Marcelo, por outro lado, o encarou por alguns segundos, como se estivesse considerando seriamente a possibilidade.

Cecil percebeu.

Bastou lançar um olhar sério na direção dele para que Marcelo desviasse os olhos.

O que, a princípio, parecera uma missão simples começava a se transformar em algo quase impossível.

E, quanto mais descobriam, mais perguntas surgiam sem resposta.

— Mas o pagamento é garantido, se conseguirem — acrescentou Mike.

Era como se tivesse ouvido os pensamentos deles e tentasse desviar a atenção do verdadeiro problema.

Cecil se endireitou na cadeira.

— Quanto?

Danilo quase sorriu.

Bastava mencionar dinheiro para recuperar toda a atenção dela, no entanto Marcelo ainda estava pensativo.

— Quanto o cliente está oferecendo? — insistiu Cecil.

Mike não fez suspense.

— Um milhão de reais.

O olhar que ele lançava aos três soava como um desafio, como se não considerasse a possibilidade de recusarem aquela proposta.

Por alguns segundos, ninguém disse nada.

Era dinheiro demais. Dinheiro demais para pagar apenas pela localização de uma sala.

Não que ela fosse comum — isso já estava claro havia muito tempo —, mas oferecer um milhão só para encontrá-la era absurdo. Até para eles, que já tinham lidado com coisas muito mais estranhas do que gostariam de admitir.

Cecil foi a primeira a se recuperar.

— Um milhão se encontrarmos essa sala sumida?

— Sala Desconhecida — corrigiu Danilo.

Cecil virou lentamente o rosto para ele.

Danilo decidiu não acrescentar nada.

— Sim — respondeu Mike, contendo um sorriso. — Se encontrarem a Sala Desconhecida.

Ele fez uma pausa dramática de propósito. Era típico dele.

— E o cliente deixou claro que está disposto a esperar o tempo que for necessário.

Marcelo continuava pensativo. Pela primeira vez em muito tempo, parecia que o amigo havia encontrado algo que representava um verdadeiro desafio para sua habilidade.

— O que tem nessa sala? — perguntou ele.

— O cliente não informou.

— E não achou importante perguntar? — insistiu sério.

— Minha função é conseguir o trabalho para vocês, Marcelo. — Mike abriu as mãos. — Além disso, vocês não precisam entrar. Não precisam buscar nada e nem descobrir o que existe lá dentro. Só precisam encontrar a localização. Quando a Sala aparecer, vocês avisam o cliente e pronto. Missão cumprida.

Ele sorriu.

— E, mais importante, dinheiro na conta.

Mike era, sem dúvida, uma das pessoas mais oportunistas que Danilo conhecia.

Ainda assim, se tudo fosse realmente tão simples quanto ele dizia, o trabalho não parecia ruim. Poderia levar meses ou até anos, mas, assim que a Sala aparecesse e Marcelo conseguisse rastreá-la, estaria terminado.

— Então? — perguntou Mike. — Temos um acordo?

Cecil olhou para Marcelo.

Dessa vez, a decisão dependia principalmente dele. Afinal, seria sua habilidade que precisariam testar todos os dias até que a Sala aparecesse.

Marcelo permaneceu alguns segundos em silêncio antes de assentir.

Cecil voltou-se para a tela.

— Temos um acordo. Diga ao cliente que começaremos a procurar pela Sala. Quando ela aparecer, se é que já não apareceu, avisaremos.

O sorriso de Mike voltou imediatamente.

— Ótimo! Adoro fechar negócios com vocês. Minha comissão estará especificada no contrato que enviarei por e-mail ainda hoje.

— É claro que estará — murmurou Danilo.

Depois daquela estranha reunião com Mike, decidiram pesquisar tudo o que conseguissem sobre a Sala Desconhecida.

Infelizmente, a internet não ajudou muito.

Cecil foi até a biblioteca da cidade, mas não encontrou nenhuma menção à Sala.

Eles tinham poucas informações e praticamente nada além do que Mike já havia contado. Aquilo, em vez de ajudar, apenas aumentava a curiosidade dos três.

Apesar de não precisarem chegar até a Sala ou entrar nela, o fato de não saberem o que o cliente pretendia fazer com aquele lugar mantinha todos em alerta.

Danilo chegou a procurar em alguns sites sobre fenômenos paranormais, mas também não encontrou nada.

Passaram boa parte da manhã e da tarde nisso.

Marcelo tentou rastrear a Sala várias vezes, mesmo sabendo que ela poderia nem ter aparecido ainda. Ainda assim, aquilo o intrigava demais para simplesmente desistir.

Ele parecia querer testar os próprios limites.

Marcelo parecia dividido entre provar que aquele lugar não existia e descobrir até onde sua própria habilidade era capaz de chegar.

De tempos em tempos, desaparecia dentro de sua própria sala e permanecia ali por alguns minutos. Sempre que voltava, porém, a resposta era a mesma:

— Não existe nenhum lugar assim.

Na última tentativa, Danilo decidiu ir atrás dele.

Abriu a porta devagar e encontrou Marcelo parado no centro do cômodo, de olhos fechados.

Vários mapas estavam espalhados pelo chão ao redor dele, enquanto um notebook, deixado aberto a poucos passos dali, exibia alguma coisa que Danilo não conseguiu identificar.

Marcelo mantinha os braços relaxados ao lado do corpo e permanecia completamente imóvel.

Por alguns segundos, Danilo teve a impressão de que ele sequer havia percebido sua presença.

Então Marcelo murmurou:

— As setas não aparecem.

Danilo franziu a testa.

— Que setas?

Os olhos de Marcelo se abriram imediatamente.

— Fecha a porta.

— Mas eu só...

— Danilo.

Ele fechou a porta.

Ficou parado no corredor por alguns segundos, encarando a madeira à sua frente.

O amigo realmente estava se esforçando.

Mas que setas eram aquelas?

Seria assim que Marcelo enxergava os rastros?

Danilo decidiu guardar aquela informação para si. Marcelo raramente falava sobre o que acontecia enquanto usava sua habilidade e, se descobrisse que ele saíra contando aquilo para alguém...

Bem.

Talvez fosse pior do que enfrentar Cecil com raiva.

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Às nove da noite, eles estavam reunidos na sala da casa de Suzane para comemorar a aprovação de Emili na universidade. Ela cursaria Enfermagem.

Havia algum tempo, Emili vinha se dedicando ao cursinho preparatório. Danilo às vezes a ajudava com algumas matérias mais difíceis, mas ela era inteligente e sempre se saía muito bem. Suzane, por sua vez, estava radiante com a conquista da irmã.

Aquela noite estava bem mais descontraída do que o restante do dia.

Marcelo, porém, continuava distante.

Mantinha a expressão séria e, de tempos em tempos, lançava um olhar para a janela, como se esperasse que alguma coisa aparecesse a qualquer momento.

Suzane não demorou a perceber.

— Aconteceu alguma coisa?

— Mike nos passou uma missão impossível hoje — respondeu Cecil, elevando um pouco a voz, numa tentativa de chamar a atenção de Marcelo.

Não funcionou.

Ele continuou olhando para a janela, como se sequer tivesse ouvido.

— Impossível? O que seria? — Perguntou Emili, entusiasmada.

Suzane balançou a cabeça para a irmã.

— O que eu já te disse?

— Não me envolver nos assuntos dos adultos. Já entendi… Vou subir e dormir.

Emili levantou-se, acenou para os outros e seguiu para as escadas.

— Obrigada pela comemoração pessoal.

Assim que teve certeza de que Emili estava no quarto, Suzane retomou o assunto.

Cecil então explicou o que sabiam sobre a Sala Desconhecida, o fato de não terem certeza sequer de que aquele lugar realmente existia e como aquilo parecia frustrar Marcelo cada vez mais.

Ele queria encontrá-la.

Suzane foi até a cozinha buscar mais algumas cervejas e, na volta, pegou o celular que havia deixado sobre a bancada.

— Vou perguntar para o pessoal do fórum.

Cecil olhou para ela.

— Fórum?

— Sim, aquele que já mencionei. Tem várias pessoas com habilidades por lá. Eles trocam informações, oferecem trabalhos, essas coisas — explicou Suzane, animada.

Cecil pegou uma das cervejas.

— Mas você nem tem habilidade.

Suzane fez uma expressão ofendida, pegou uma almofada da poltrona e a atirou em Cecil.

— Sua preconceituosa.

Cecil caiu na gargalhada.

— Não foi isso que eu quis dizer. Até eu sei que, para entrar nesse fórum, você precisa comprovar alguma habilidade. Como conseguiu uma conta?

A animação de Suzane desapareceu imediatamente.

Ela desviou o olhar para Danilo.

Danilo a encarou de volta.

Cecil estreitou os olhos.

— Se expliquem.

— A Suzane pediu para eu criar uma conta para ela — respondeu Danilo. — Então eu ajudei.

— Em troca de quê?

— Não entendi.

— Entendeu muito bem.

Suzane se aproximou e sentou-se ao lado de Cecil.

Ela já tinha aprendido a melhor maneira de impedir que a amiga ficasse ainda mais irritada:

Contar a verdade antes que Cecil resolvesse descobrir por conta própria.

— Nós combinamos que o Danilo poderia testar algumas das invenções dele em mim. Mas só as mais brandas.

O sorriso de Cecil desapareceu.

Ela virou lentamente o rosto para Danilo.

— Nós já conversamos sobre isso.

— Relaxa, Cecil. Tudo é feito com muita segurança.

Danilo sabia o quanto Suzane admirava o trabalho deles e, principalmente, o fato de possuírem habilidades. Ela sempre os ajudava quando apareciam feridos em sua casa e já havia pedido várias vezes para participar de alguma missão.

Cecil nunca permitira.

Por mais curiosa que Suzane fosse, a segurança da amiga sempre falava mais alto.

— Alguém respondeu sobre a Sala.

A voz repentina de Suzane fez todos olharem para ela.

Cecil franziu a testa.

— Você perguntou sobre isso no fórum?

— Calma. Antes que você comece a brigar comigo, eu só perguntei se alguém conhecia a Sala Desconhecida. Não falei nada sobre a missão.

Danilo se aproximou.

— E o que responderam?

Sentou-se ao lado dela e puxou seu braço para conseguir enxergar a tela do celular.

Cecil foi até Marcelo, que ainda permanecia perto da janela.

— Suzane encontrou alguma coisa.

Dessa vez ele reagiu.

Virou-se imediatamente e foi até os outros.

Suzane passou os olhos pela mensagem.

— O usuário @eletrico disse que a Sala é um mistério.

— Isso nós já sabemos — responderam os três ao mesmo tempo.

Suzane revirou os olhos.

— Ai, caramba... Esperem.

Ela se endireitou de repente, fazendo Danilo se assustar.

— O quê? — perguntou Marcelo. — O que mais ele disse?

Agora tinha toda a atenção dele.

Suzane continuou lendo, e sua animação aumentava a cada palavra.

— Ele disse que existem rumores de que a Sala guarda coisas que valem muito dinheiro... e até artefatos capazes de dar habilidades a uma pessoa comum.

Cecil a encarou, balançando a cabeça em negativa.

— Um artefato capaz de dar habilidades? Isso não faz sentido.

E realmente não fazia.

Nenhum deles jamais tinha ouvido falar de uma pessoa comum adquirindo uma habilidade. Até onde sabiam, pessoas como eles simplesmente surgiam assim, do mesmo modo que a própria humanidade havia surgido.

— Amiga, segundo ele, vários rastreadores estão procurando por essa Sala. E tem muita gente com dinheiro pagando para encontrá-la.

Marcelo lançou um olhar sério para Cecil.

Se a história dos artefatos fosse verdadeira, talvez alguém estivesse disposto a pagar uma fortuna justamente pela possibilidade de conseguir uma habilidade.

De repente, o mistério de Mike começava a fazer mais sentido.

Talvez ele soubesse muito mais sobre a Sala do que havia contado.

Mas havia outra possibilidade.

Danilo percebeu a mudança na expressão de Cecil quando ela olhou para Suzane.

Se aqueles artefatos realmente existissem, Suzane poderia finalmente conseguir aquilo que sempre quis.

Uma habilidade.

E, pela expressão de Cecil, ela também havia percebido.

Danilo não sabia o que seria pior: descobrir que aquilo era apenas mais um rumor ou descobrir que era verdade.



Thoughts

  • duvidocomfe

    Fiquei com um aperto pela Suzane. Ela cuida deles quando chegam feridos, aceita ser cobaia, e ainda assim fica de fora de tudo porque não nasceu com habilidade.

    Um artefato que resolve isso parece presente, mas eu desconfiaria de qualquer coisa que alguém paga um milhão pra achar.

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  • rascunhoeterno

    Bah, o Marcelo entrando na sala dele de tempos em tempos e voltando sempre com a mesma resposta sou eu com qualquer coisa que eu não consigo terminar, tchê.

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  • Ovid

    Uma sala que aparece e some por meses ou anos me lembra aquelas lendas de ilha fantasma, sempre com alguém jurando que viu e ninguém conseguindo voltar lá. Aposto que o fórum da Suzane ainda vai dar mais dor de cabeça que o próprio Mike. E deu vontade de estar naquela sala com eles na comemoração da Emili :)

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  • soleioanoite

    Uai, a Suzane conseguiu a conta no fórum servindo de cobaia pras invenções do Danilo, e logo em seguida aparece um rumor de artefato que dá habilidade pra gente comum. Aposto que é por ela que essa sala vai virar problema, bem mais do que pelo dinheiro do Mike. A cara da Cecil no final já mostra que ela percebeu isso antes de todo mundo.

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