Cecil gargalhando na cara da Emili e no segundo seguinte fechando a cara foi o momento em que eu larguei o celular na cama. E o Tom, coitado, sendo empurrado da fila pela Pamela: aposto que ele sabe alguma coisa do Otávio e ainda não deixaram ele falar. Amanhã cedo vai ser um caos e eu quero estar lá.
RASTREADORES - Capítulo 5 - REUNIÃO
CAPÍTULO NOVO, desculpem a demora.
In groups
Pensamento
Cecil gargalhando na cara da Emili e no segundo seguinte fechando a cara foi o momento em que eu larguei o celular na cama. E o Tom, coitado, sendo empurrado da fila pela Pamela: aposto que ele sabe alguma coisa do Otávio e ainda não deixaram ele falar. A
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CAPÍTULO NOVO, desculpem a demora.
A casa ainda carregava todos os traços de Suzane.
Assim que Cecil olhou ao redor, percebeu o toque familiar de Suzane ainda reverberando por todo o cômodo. Sobre o sofá estava a mesma manta de crochê que ela havia comprado de uma vizinha doente, que precisava de ajuda financeira. Suzane procurava ajudá-la como podia.
Além, é claro, de fazer um acompanhamento domiciliar do seu estado.
Suzane era assim: alguém que ajudava sem esperar nada em troca.
Quando Cecil apresentou Marcelo e Danilo em seu aniversário, ela ficou radiante. Já não conhecia apenas uma pessoa com habilidades; seu círculo havia aumentado, e ela adorava aquilo. Foi por isso que se impôs como enfermeira pessoal dos três, deixando claro que poderiam chamá-la a qualquer momento — ou simplesmente aparecer em sua casa, como já faziam de costume.
Cecil passou a mão sobre a manta, e o toque familiar a fez estremecer.
Os pontos delicados se uniam formando desenhos de flores amarelas, exatamente como ela se lembrava.
Seu olhar seguiu até a estante onde antes ficavam o porta-retrato com eles. Ela se lembrava das fotografias espalhadas por ali: Suzane com ela, Marcelo e Danilo, registros de momentos que, na época, pareciam comuns demais para serem importantes.
Agora, restavam apenas dois porta-retratos com fotografias de Emili e um de Suzane sozinha.
Cecil não se ressentia dela por ter retirado os outros.
Depois de tudo o que acontecera, talvez aquelas fotografias doessem tanto para Emili quanto aquela casa doía para Cecil.
O som de passos vindo da cozinha a tirou das lembranças.
Emili surgiu carregando uma caixa de papelão. O uniforme havia desaparecido; agora, ela vestia uma calça jeans e uma blusa bege larga.
Marcelo se ofereceu para ajudá-la, mas ela apenas recusou com um gesto e indicou que a seguissem.
Emili seguiu até a escada que levava ao primeiro andar, e os três foram atrás dela.
No corredor, passaram em frente ao quarto de Suzane.
Cecil, que vinha logo atrás, parou diante da porta. Sabia que não tinha o direito de entrar, mas era difícil ignorar tudo o que aquele quarto guardava. Ela e Suzane haviam passado horas ali, fofocando sobre a vida, assistindo a filmes e rindo por qualquer bobagem.
Colocou a mão na maçaneta e tentou abrir, mas a porta estava trancada. Sentiu a resistência da tranca sob a mão. Poderia abri-la, assim como fizera com a porta da frente, mas aquilo seria diferente. Aquele era o quarto de Suzane, e ultrapassar esse limite traria mais problemas do que estava disposta a enfrentar.
Cecil soltou a maçaneta e apressou o passo para alcançar os outros, seguindo-os até o último cômodo do corredor. Assim que entrou, teve a impressão de que aquele lugar não pertencia à casa.
Próximo à janela, um quadro-negro estava quase inteiramente coberto por folhas de papel, anotações e documentos presos de maneira aparentemente organizada. No centro do cômodo, uma mesa redonda encontrava-se abarrotada de pastas e papéis.
Outras mesas ocupavam as laterais. Sobre algumas delas havia computadores, impressoras e equipamentos.
Emili havia transformado o espaço em uma verdadeira central de operações.
Uma operação com a qual Cecil não concordava nem um pouco.
Danilo foi direto para um dos computadores. Assim que analisou a máquina, seus olhos brilharam.
— Esse PC é muito potente. Como você conseguiu uma coisa dessas?
Emili, porém, não respondeu.
Enquanto Danilo continuava interessado no computador, Cecil se aproximou do quadro-negro. Marcelo, ainda tentando absorver tudo ao redor, foi atrás dela. Estava tensa — ainda mais do que antes. Seus olhos percorriam cada folha presa ali, demorando-se em algumas anotações, como se procurasse algo específico.
Foi então que percebeu do que se tratava.
Eram informações sobre a Sala Desconhecida.
É claro que eram.
Ainda assim, uma parte de Cecil continuava alimentando a esperança de que Emili desistisse de procurar aquele lugar.
Emili havia avançado muito em suas pesquisas, encontrando informações que não estavam disponíveis na internet. Tinha ido mais fundo — muito mais fundo do que a própria Cecil se permitira ir.
E agora ela se arrependia de não ter acompanhado os passos da irmã de sua melhor amiga, mesmo que à distância.
Ao seu lado, Marcelo parecia igualmente absorvido pelo quadro. Documentos com registros de datas, lugares, aparições e acontecimentos relacionados à Sala ocupavam praticamente todo o espaço.
Era perceptível que ele ainda estava confuso com as próprias lembranças. Nem mesmo Cecil saberia dizer quanto tempo levaria até que todas retornassem, ou até que ele conseguisse usar suas habilidades sem receio.
Mas aquele não era o principal problema.
Voltar à Sala seria o verdadeiro desafio. Na última vez, haviam sido negligentes demais, e Marcelo carregava aquela culpa tanto quanto ela. Cecil conseguia perceber isso na forma como ele observava cada informação no quadro, como se procurasse ali alguma coisa que pudesse impedir que cometessem os mesmos erros outra vez.
Cecil ainda o observava quando Marcelo se inclinou um pouco mais para o quadro.
Seu olhar parou em uma das anotações e permaneceu preso a uma data por alguns segundos antes de buscar Cecil, claramente em dúvida.
Ela se aproximou e seguiu a direção de seus olhos.
1912 — Israel
Cecil franziu a testa.
Era aquele o registro mais antigo?
Se a Sala Desconhecida aparecia havia tanto tempo, por que eles só tinham descoberto sua existência menos de seis anos atrás?
E, mais importante...
Por que Marcelo nunca a havia sentido antes?
A pergunta pareceu atingir os dois ao mesmo tempo. Cecil se virou abruptamente para Emili, que ainda retirava algumas pastas da caixa.
— Isso tudo é por causa daquele lugar?
Emili interrompeu o que fazia e ergueu os olhos para ela. Por alguns segundos, apenas a observou, como se tentasse avaliar até onde Cecil pretendia levar aquela conversa.
Então voltou a mexer nas pastas.
— Quando o pessoal chegar, começamos. — respondeu sem encará-la.
— Que pessoal? — perguntou Danilo, girando a cadeira em sua direção
— Vocês têm o grupo de vocês. Eu tenho o meu.
Danilo recuou. Entre os três, sempre fora o mais tolerante, disposto a ouvir antes de transformar qualquer conversa em confronto.
Cecil não tinha a mesma paciência.
Deu um passo à frente.
— Então você pegou tudo o que eu e Suzane coletamos e acrescentou à sua... — Cecil olhou ao redor. — Como posso chamar isso? Investigação?
Emili permaneceu em silêncio, mas Cecil já havia reconhecido alguns dos recortes espalhados pelo cômodo e até uma agenda que ela mesma preenchera com anotações e descrições sobre a Sala.
A inquietação surgiu imediatamente em sua expressão. Parecia prestes a insistir na pergunta que Emili fizera questão de ignorar.
Mas se conteve.
Cecil desviou os olhos e seguiu em direção à varanda sem dizer mais nada. Precisava descobrir quem fazia parte daquele grupo e reunir algo além de suas próprias palavras para convencer Emili a desistir.
Às vezes, recuar também fazia parte do plano.
Marcelo a seguiu. Parecia prestes a perguntar alguma coisa quando os dois se encararam, mas o som de um carro se aproximando interrompeu o momento. Pouco depois, o veículo surgiu na rua e estacionou logo atrás do dele.
Cecil sentiu certo alívio. Não estava disposta a dar explicações nem a mentir para ele, principalmente porque não queria contar o que pretendia fazer caso Emili continuasse insistindo em encontrar a Sala.
Os dois se aproximaram da varanda para observar melhor. Era uma BMW — daquelas que Cecil só tinha visto em filmes.
Três pessoas desceram do veículo: um homem, um rapaz e uma mulher.
A mulher que havia descido do carro ergueu os olhos para a varanda.
Os cabelos loiros caíam até próximo aos seios, e ela vestia um vestido rosa com saltos brancos — uma combinação que parecia acompanhar perfeitamente a imponência do carro.
Assim que seus olhos encontraram Cecil, porém, sua expressão endureceu.
— Você a conhece? — Perguntou Marcelo.
— Nenhum deles — respondeu Cecil, já se virando para voltar à sala. — Deve ser o grupo da Emili.
-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Quando as três pessoas entraram na sala acompanhadas de Emili, os Rastreadores já estavam à espera. Danilo continuava sentado junto à mesa; Cecil permanecia encostada nela, e Marcelo estava de pé ao seu lado.
O grupo se aproximou da mesa no centro da sala. Emili, que acabara de organizar os arquivos, cumprimentou os três com uma familiaridade estranha. Ainda assim, não pareciam próximos; havia formalidade demais entre eles.
Marcelo agora estava curioso. Até que ponto Emili estava envolvida com aquelas pessoas? E o quanto realmente estava empenhada em encontrar a Sala?
A mulher continuava encarando Cecil. Parecia notar o quanto aquilo começava a incomodá-la, mas não fazia questão alguma de disfarçar a rigidez da expressão.
Ao lado dela estava um homem bem-vestido, não muito mais velho que Marcelo, usando uma camisa polo azul de gola V. Marcelo precisou de apenas alguns segundos para classificá-lo: mauricinho. Ou, talvez, playboyzinho. O sujeito observava os três com um interesse evidente, como se estivesse analisando cada um deles.
E havia também o rapaz, que parecia ser mais jovem que os outros dois.
Ao contrário deles, mantinha uma postura acuada, quase amedrontado. Seus olhos percorriam a sala com inquietação, atentos a cada pessoa e a cada movimento.
Por um instante, Marcelo teve a impressão de que ele diria alguma coisa.
Não chegou a abrir a boca.
A mulher lançou-lhe um olhar de advertência.
Foi o suficiente para que ele se contivesse.
Os dois grupos permaneceram frente a frente, como se travassem, em silêncio, uma disputa para descobrir quem cederia primeiro.
Marcelo olhou de um lado para o outro.
Danilo ajeitou a postura na cadeira e cruzou os braços. Parecia tentar assumir uma postura que Marcelo não reconhecia nele — pelo menos não no Danilo de que se lembrava. Cecil, por outro lado, sustentava sua habitual expressão de desdém, como se a presença dos recém-chegados não lhe causasse o menor incômodo — exceto, é claro, pela mulher de rosa.
Como se tivesse percebido o pensamento de Marcelo, a mulher de rosa contornou Emili e parou diante de Cecil.
— Então são eles os famosos Rastreadores?
De perto, ela parecia ainda mais extravagante do que o carro estacionado lá fora. Não aparentava ter mais de vinte anos, mas já exibia algumas joias e carregava uma bolsa de grife como se fizesse questão de que todos reparassem nela.
Danilo olhou para os amigos e sussurrou:
— Rastreadores.
Cecil e Marcelo simplesmente o ignoraram.
Então era isso. Aquele nome realmente havia pegado. No início, os dois ainda relutavam sempre que Danilo os apresentava daquela forma, mas, a essa altura, parecia tarde demais para tentar mudar.
— Sim. São eles — confirmou Emili.
A mulher tornou a observá-los, sem qualquer preocupação em esconder o julgamento.
— Não vejo nada demais.
Cecil arqueou uma sobrancelha.
Isso não era bom.
— E que merda são vocês? — perguntou Cecil impaciente.
A mulher pareceu genuinamente ofendida com a pergunta, mas, antes que pudesse responder, Emili se adiantou:
— Nós somos a merda que vai resolver o que vocês não conseguiram.
Por um instante, Cecil apenas a encarou.
Então gargalhou.
Não foi uma risada debochada ou contida. Foi uma gargalhada sincera, espontânea, que surpreendeu todos na sala.
— Vocês?
A risada cessou tão abruptamente quanto começara.
A expressão de Cecil endureceu.
— Vocês não fazem ideia do que estão prestes a enfrentar naquele lugar. E isso se eu deixar vocês chegarem até lá. Porque você pode estar muito determinada, Emili, mas o resto do seu grupo está longe disso.
— Do que você está falando?
Dessa vez, foi o homem de camisa polo quem retrucou. Até então, ele apenas observara a troca de farpas entre Cecil e a mulher loira.
Danilo respondeu antes que Cecil pudesse fazê-lo.
— Primeiro, o garoto ali está transpirando medo, e nós nem chegamos à Sala Desconhecida ainda. Segundo, a mulher, logicamente, está aqui apenas de enfeite, sem ofensas. E terceiro, é você quem está patrocinando tudo isso. — Ele inclinou a cabeça, analisando os três. — Ou seja, vocês têm objetivos completamente diferentes. E eu nem preciso ser a Cecil para perceber isso.
Marcelo alternou o olhar entre Danilo e Cecil. A facilidade com que os dois haviam analisado aquelas pessoas só reforçou uma impressão que vinha tendo desde que despertara.
Eles estavam muito diferentes do que ele se lembrava. Mais atentos, mais analíticos. Como se aqueles cinco anos tivessem aprimorado não apenas suas habilidades, mas também a forma como enxergavam tudo ao redor.
Enquanto isso, ele passara todo aquele tempo cuidando da pizzaria do tio.
A constatação o atingiu de uma maneira incômoda. Pela primeira vez desde que recuperara as memórias, sentiu-se deslocado entre os próprios amigos.
Como se tivesse ficado para trás.
— E mesmo que vocês três estivessem atrás da mesma coisa — continuou Danilo —, ainda estariam anos-luz atrás do Marcelo. E olha que ele acabou de acordar.
Marcelo ergueu os olhos para ele, surpreso.
Danilo apenas fez um pequeno aceno com a cabeça.
Cecil fez o mesmo.
Por um instante, Marcelo teve a estranha impressão de que os dois sabiam exatamente o que acabara de passar por sua cabeça.
Cinco anos.
Tinham passado cinco anos sem os três sequer se falarem.
Mas, naquele momento, Marcelo percebeu que algumas coisas não tinham mudado.
Quando voltou a atenção para o outro grupo, percebeu que o rapaz mais jovem o encarava com uma admiração quase evidente.
Aquilo o deixou um pouco desconfortável. Não estava acostumado a ser observado daquele jeito — muito menos por alguém que sequer conhecia.
— Mesmo que tenhamos objetivos diferentes, estamos preparados — retrucou Emili.
— Como você sabe?
Dessa vez, foi Marcelo quem perguntou.
A pergunta saiu mais séria do que ele pretendia.
Ele ainda nem tinha dimensão de tudo o que perdera durante aqueles cinco anos. Não sabia o quanto havia mudado, o que sua habilidade ainda era capaz de fazer ou sequer se estaria preparado para voltar àquele lugar.
Então como Emili podia ter tanta certeza?
— Nós sabemos coisas que vocês não sabem — respondeu ela.
Danilo abriu os braços e apontou ao redor.
— Isso já está bastante óbvio.
Emili não rebateu. Permaneceu pensativa por alguns instantes, como se decidisse o quanto estava disposta a revelar.
Marcelo observou os outros três.
Definitivamente, aquele era um grupo disfuncional.
O rapaz parecia ansioso demais para estar ali. A mulher loira mantinha uma postura quase hostil, e o homem de camisa polo demonstrava muito mais interesse no que acontecia ao redor do que propriamente nos outros dois.
Ainda assim, todos esperavam pela mesma coisa.
Emili.
Nenhum deles se adiantou ou tentou responder em seu lugar.
Pareciam apenas aguardar que ela desse o próximo passo.
— Antes de compartilharmos o que sabemos, precisamos que vocês nos contem o que viram na Sala Desconhecida.
— Por quê? — perguntou Cecil.
— Porque ainda estamos coletando informações. E, aparentemente, não encontramos muitos outros que já tenham estado na Sala.
Cecil desviou o olhar e balançou a cabeça lentamente em negação.
— Eu posso falar — disse Danilo.
Ela olhou para ele.
Danilo sustentou seu olhar por alguns segundos e continuou:
— Tudo bem, Cecil. Precisamos de toda ajuda possível. Mesmo que seja desse grupo esquisito.
Um sorriso involuntário surgiu nos lábios dela.
Era impressionante como Danilo ainda conseguia fazer aquilo.
Cecil então olhou para Marcelo.
Ele assentiu.
Eles não tinham tanto tempo a perder. Cecil estava ali, mas Marcelo sabia que seus pensamentos permaneciam presos a Bete e à Sala Desconhecida. Se aquilo se prolongasse por mais um dia, ela não aguentaria.
Precisavam de informações para ontem. Tinham que descobrir o máximo possível, planejar uma forma de entrar e sair de lá sem assistir a mais alguém morrer diante deles.
E, pelo que tudo indicava, descobririam muito mais do que esperavam.
Talvez fosse por isso que Cecil ainda estivesse sendo tolerante. O problema era que ninguém sabia por quanto tempo aquilo duraria.
— Tudo bem, Emili. Nós contamos a nossa parte e, em troca, você compartilha tudo o que sabe conosco.
— Combinado. — respondeu Emili.
— Mas...
Cecil voltou-se para os outros três. Dessa vez, não havia nenhum vestígio de humor em sua expressão.
— Nós saímos amanhã cedo. Até lá, vocês vão ter que me convencer de que devemos levar vocês com a gente.
Um silêncio pesado se instalou na sala.
Emili talvez fosse a pessoa mais convicta ali dentro. Marcelo nem sabia exatamente o que aquilo significava, mas uma coisa parecia clara para todos.
Ela podia ter informações que eles não possuíam. Podia impor condições, esconder respostas e até fazer suas ameaças veladas.
Ainda assim, havia algo que não podia controlar.
Se Cecil decidisse que nenhum deles iria, ninguém iria.
E Emili sabia disso.
Talvez fosse justamente por isso que nenhuma das duas estivesse disposta a recuar.
— Então, grupo estranho da Emili... quem são vocês? — perguntou Danilo, curioso, quebrando a tensão que ainda pairava pela sala. — Como se conheceram?
Emili piscou algumas vezes, como se só então tivesse se dado conta de um detalhe importante.
— Desculpem. Eu nem apresentei vocês.
Os quatro começaram a se organizar.
Marcelo franziu a testa ao vê-los procurando suas posições lado a lado, com uma seriedade tão absurda que parecia que tinham ensaiado aquilo várias vezes.
— Você não fica aqui, Tom — reclamou a mulher loira, empurrando o mais jovem para o lado.
— Eu sempre fico aqui.
— Não, não fica.
Emili fechou os olhos por um instante.
Parecia envergonhada.
Marcelo percebeu o quanto ela se forçava a suportar aquela situação.
— Vem, Emili — chamou a mulher.
Emili se juntou aos outros, embora parecesse deslocada naquela formação.
Finalmente, ficaram enfileirados: Tom na ponta, seguido pela mulher loira, pelo homem de camisa polo e, por último, Emili, que claramente preferia estar em qualquer outro lugar.
— Então — começou ela, ainda constrangida. — Esse é o Tom. Ele ajuda nos rastreios. É quase um hacker e é funcionário do Marcos.
Então apontou para o homem de camisa polo.
— E esse é o Marcos. Ele é amigo do Otávio e quem financia a nossa pesquisa. Nós nos conhecemos no enterro da Suzane, quando ele me procurou.
Otávio?
O rosto ainda não se formava com clareza em sua mente, mas Marcelo sabia que era o amigo que Suzane insistira em levar naquele dia.
Cecil percebeu sua confusão, mas não fez nenhuma pergunta. O amigo de Otávio talvez não gostasse de descobrir que Marcelo sequer se lembrava dele.
Emili, sem notar a pequena troca de olhares entre os dois, continuou:
— Essa é a Pamela. Noiva do Marcos
Cecil passou a encarar Pamela, ignorando totalmente os outros dois.
— Então a Pamela não tem uma função no grupo? — perguntou Cecil.
— Eu tenho, sim! — Pamela se virou imediatamente para Emili. — Diz para ela.
Emili hesitou.
— Sim, ela tem.
Silêncio.
— E qual é? — insistiu Cecil.
Emili parecia procurar desesperadamente uma resposta que não tornasse a situação ainda pior.
— Ela... ajuda no apoio moral do grupo.
Pamela passou a exibir uma pose de confiança.
— Você inventou isso agora, não foi?
Cecil soltou uma respiração indignada.
Depois de passar todo aquele tempo sendo encarada por Pamela como se estivesse diante de uma grande ameaça, descobrir que a mulher sequer tinha uma função definida no grupo parecia uma ofensa pessoal.
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PermalinkCapítulo novo e valeu a demora! O nome Rastreadores pegou por culpa do Danilo e agora até a Emili apresenta os três assim, adoro esse tipo de detalhe que vira oficial sem ninguém decidir. A minha aposta é que a Pamela vai acabar sendo útil de um jeito que a Cecil não espera. Amanhã cedo vai ser bom :)
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PermalinkCecil gargalhando na cara da Emili e no segundo seguinte fechando a cara foi o momento em que eu larguei o celular na cama. E o Tom, coitado, sendo empurrado da fila pela Pamela: aposto que ele sabe alguma coisa do Otávio e ainda não deixaram ele falar. Amanhã cedo vai ser um caos e eu quero estar lá.
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