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Quando você irá perceber que o mundo funciona ao contrário

Dudaah
Pensamento

Pensamento

luluca

Égua, a pergunta do fim vira pra quem tá lendo e aí não dá mais pra só concordar com o resto. Pra mim o poema fala de quem segura a regra de pé todo dia sem pensar, quem obedece porque todo mundo do lado obedece. Fiquei pensando quanto disso eu faço.

Égua, a pergunta do fim vira pra quem tá lendo e aí não dá mais pra só concordar com o resto. Pra mim o poema fala de quem segura a regra de pé todo dia sem pensar, quem obedece porque todo mundo do lado obedece. Fiquei pensando quanto disso eu faço.

Conteúdo da publicação

Uma reflexão sobre uma humanidade que aprendeu a sobreviver, mas se esqueceu de viver.

Quando você irá perceber

que o mundo funciona ao contrário?

Que os loucos, às vezes, são os únicos

que ainda ousam questionar a realidade,

enquanto os considerados normais

passam a vida inteira

obedecendo à própria infelicidade?

Construímos prédios tão altos

para esconder o quanto nos sentimos pequenos,

inventamos relógios para controlar o tempo

e, ainda assim,

não sabemos o que fazer

com os minutos que nos restam.

Chamamos de sucesso

a capacidade de conquistar o mundo,

mas ninguém nos ensinou

o que fazer quando perdemos a nós mesmos.

Aprendemos a calcular fortunas,

mas não sabemos medir a saudade.

Aprendemos idiomas para conversar com estrangeiros,

mas desaprendemos a linguagem

de quem está ao nosso lado.

De que adianta ser alguém aos olhos do mundo

se, quando a noite chega,

você já não reconhece quem existe no espelho?

Talvez essa seja a maior tragédia da humanidade:

não a falta de respostas,

mas a quantidade de perguntas

que deixamos morrer dentro de nós.

Há pessoas tão pobres

que a única coisa que possuem

é dinheiro.

E há outras tão famintas de amor

que confundem qualquer migalha

com um banquete.

O mundo nos ensinou a competir

quando deveríamos aprender a compreender.

Ensinou-nos a acumular

quando deveríamos aprender a repartir.

E, nessa corrida absurda para chegar a algum lugar,

quantos de nós já chegaram longe

sem jamais terem saído do próprio vazio?

Quantos vestem a armadura da indiferença

porque um dia sentiram demais?

Quantos transformaram o coração em fortaleza

depois que alguém lhes ensinou

que amar era oferecer munição

para a própria tristeza?

Talvez cada pessoa que atravessa a rua

carregue uma guerra que não sabemos nomear,

um pedido de socorro que não aprendeu a pronunciar,

uma infância que ainda procura abrigo

dentro de um adulto que finge saber o caminho.

E nós passamos.

Com os olhos presos às telas,

os pensamentos presos ao amanhã

e o coração preso a um passado

que juramos ter superado.

Quando foi que nos tornamos tão ocupados

tentando viver melhor

que nos esquecemos de simplesmente viver?

Talvez o verdadeiro vendedor de sonhos

não seja aquele que oferece ilusões,

mas aquele que nos devolve a coragem

de questionar as certezas

que nos mantêm aprisionados.

Porque há sonhos que não precisam ser comprados.

Precisam ser resgatados.

A coragem de recomeçar.

A liberdade de dizer não.

A humildade de admitir que estamos perdidos.

A ousadia de abandonar uma estrada

só porque todos juram

que ela é a única que leva ao destino.

Talvez o mundo comece a mudar

quando deixamos de perguntar

quanto vale uma pessoa

e começamos a perguntar

quanta humanidade existe

na maneira como a tratamos.

Não precisamos de uma humanidade

que nunca caia.

Precisamos de uma que, ao encontrar alguém no chão,

não pergunte primeiro por que ele caiu,

mas se ainda consegue levantar.

E, se não conseguir,

que se sente ao lado dele

até que o peso do mundo

deixe de parecer impossível.

Porque talvez a maior revolução

seja interromper a própria dor

antes que ela se transforme

na ferida de outra pessoa.

É conhecer a crueldade da existência

e, ainda assim,

escolher não se tornar cruel.

E agora eu volto à pergunta:

Quando você irá perceber

que o mundo funciona ao contrário?

Quando irá entender

que nem todo silêncio significa paz,

que nem todo sorriso é felicidade

e que nem toda pessoa que parece louca

perdeu a razão?

Talvez a pergunta nunca tenha sido

por que o mundo funciona ao contrário.

Talvez a pergunta seja outra:

Se você já percebeu,

por que continua ajudando-o

a permanecer assim?

Thoughts

  • mbarbosa46

    Já entreguei chave de casa enorme pra família que não trocava uma palavra na sala. Aquela dos pobres que só têm dinheiro eu vi de perto, mais de uma vez.

    Permalink
  • luluca

    Égua, a pergunta do fim vira pra quem tá lendo e aí não dá mais pra só concordar com o resto. Pra mim o poema fala de quem segura a regra de pé todo dia sem pensar, quem obedece porque todo mundo do lado obedece. Fiquei pensando quanto disso eu faço.

    Permalink

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