Me perdoa, mas, se o básico é muito difícil para você, não fale comigo.
Se você sabe que existem verdades que não podem ser mudadas, porque são princípios de convivência, e, mesmo assim, opta por não segui-las, eu não te reconheço como uma pessoa boa.
Não importa se faz caridade.
Não importa se teve um passado trágico.
Nada disso vai justificar, porque foi uma escolha sua.
Não estou te condenando.
As respostas das suas ações, sim.
Não tem como não dar atenção ao básico, porque é o básico.
Você deveria fazê-lo de maneira inconsciente, como respirar.
Não escorregar não é difícil se você tiver o mínimo de caráter confiável.
Se você defende que o básico é difícil, talvez o problema esteja no seu caráter inexistente ou na sua falta de noção latente.
Eu reconhecer isso fala sobre mim.
Diz respeito a mim, não a você.
O básico não deveria ser justamente aquilo que falha quando ninguém está prestando atenção.
E quem consegue mantê-lo durante anos, sem escorregar, não deveria enxergá-lo como um peso.
Seus pensamentos, suas escolhas, tudo bem.
Mas, se isso atinge outra pessoa com quem você se relaciona, na minha visão, talvez fosse melhor rever.
Tudo bem.
Me perdoa.
Você tem esse direito.
Eu sou uma tola, aprendendo como funciona essa terra de ninguém.
Aparentemente, as verdades que a sociedade criou são nulas, e todos são guiados por emoções e momentos que os transformam.
Talvez eu só tenha acreditado demais que algumas coisas eram simples.
Que algumas coisas não precisavam ser ditas.
Que respeito não precisava ser negociado.
E que certas escolhas não deveriam depender do momento.
Provavelmente, esse tenha sido o meu erro.
Mas tudo bem.
Ei, está tudo ok.
Assim como existem pessoas com dificuldades para respirar, você deve ter problemas para não machucar outra pessoa.
Não é como se uma coisa fosse sua escolha e a outra, uma questão genética.
Não.
Não é como se os seus traumas te influenciassem por causa da sua escolha de não tentar ficar bem.
Não é?
Tudo bem.
Continue.
Livre-arbítrio geral tem.
Começo a desconfiar que minha crença de estar presa a um destino é o que me faz ser alguém boa.
Talvez seja como a igreja para a maioria das pessoas.
Precisam de algo além.
E está tudo bem.
Mas me diga: e se fosse você?
Se você seguisse as regras boas, se optasse por entender que existem coisas simples que qualquer um consegue fazer, você as faria?
Você não vai ganhar poder.
Não vai ganhar reconhecimento.
Não vai morrer.
Não vai perder o seu maior desejo.
Eu faria.
Eu faço.
E você?
É um saco.
Por isso, começo a desconfiar que tudo na minha existência é predeterminado.
(Autoral de Sids)