As fotos que nunca chegaram às redes e ficaram no íntimo foram a parte do jantar que mais me ficou. Há ali um pudor bom, de quem guarda o melhor para dois e deixa o resto do mundo de fora.
Pouco tempo
Pensamento
As fotos que nunca chegaram às redes e ficaram no íntimo foram a parte do jantar que mais me ficou. Há ali um pudor bom, de quem guarda o melhor para dois e deixa o resto do mundo de fora.
Conteúdo da publicação
Olhei em seus olhos. Uma imensidão negra brilhosa tal qual o céu estrelado. Uma noite de sábado. Era dia de comemorar seu aniversário que passara, mas que a rotina de estudos não nos permitiu estar juntos. Desculpa. O levei ao Shopping para comer comida japonesa e assistir um filme no cinema. Chegamos na frente do balcão e sussurrei ao seu ouvido:
- Peça um temaki e depois monte o seu prato do jeito que quiser.
Acenou com a cabeça e pegou o prato. Observei que começou a montar o prato antes de pegar o temaki. Ele não entendeu ou só ignorou. Enquanto se servia, peguei meu prato e fui até o sushiman e pedi dois temakis. O sushiman respondeu que não havia mais salmão. Pedi então dois de atum, mas sem arroz. Retrucou que não poderia fazer sem arroz. Fiz a tréplica:
- É no peso. Eu posso pedir do jeito que quiser. Irei pagar do mesmo jeito. - disse em tom ameno.
Entendeu que no final eu tinha razão e começou a preparar os dois temakis. Me entregou os temakis e com sorriso no rosto, agradeci. Situação incômoda, mas estou aprendendo que o incômodo faz parte da vida. Com os dois temakis no prato, comecei a montar meu prato. Tampurá, sashimi, niguiri, gunkan, camarão e anéis de lula fritos. Tudo que gosto. Um coca lata para cada, shoyo, wasabi, hashi, teryaki. Pesamos. Atendente questionou:
- Débito ou crédito?
- Crédito, por favor - respondi.
Paguei a conta e caminhamos em direção a uma mesa vazia. Sentamos, tiramos fotos para postar nas redes sociais. Nunca foi postado. Ficou no pessoal. No íntimo. Sentou em minha frente, juntou as duas palmas da mão e disse: itarakemais. Versão abrasileirada de itadakimasu. Rimos. Com o hashi em mãos, pegou um sashimi, molhou no teryaki e o levou a boca. Mastigou. Respirou fundo. Levantou os olhos. Sorriu com o olhos. Disse:
- Te amo!
Sorrindo com os olhos, mexi os lábios respondendo que também o amo. Eu sei o quanto ele gosta de comida japonesa. Não precisa de muitas firulas para ser conquistado. Apesar que sempre gosto de fazer firulas para ele comer. Minha linguagem do amor sempre envolve comida: ou eu cozinho ou vamos sair para comer. Peguei o temaki a mais que pedi para o sushiman fazer e transferi para o prato dele. De boca cheia, me agradeceu com os olhos. Não havia comido temaki de atum. Eu amo, apesar do salmão ser o meus preferido. Ao terminar de comer, segurou minha mão, criando uma ligação e sorriu com a cabeça virada de lado, agradecendo por aquele momento.
Olhei o relógio e faltava apenas 10 minutos para início da sessão. Falei para ele. Levantamos.
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