Há pouco tempo, abri meus olhos e me deparei com uma parede escura, o que era estranho, pois tudo ao meu redor brilhava tanto que parecia encantado.
Aquela parede... Não sei ao certo se era uma parede, pois era tão profunda e escura que parecia me absorver, como um vazio sem fim. Ela surgiu quando eu estava perdida em meu próprio brilho, quando brilhei tanto que me ceguei, incapaz de enxergar o que realmente importava. Durante tanto tempo, confiei na luz ao meu redor, acreditando que ela era meu abrigo, minha segurança. Mas, sem perceber, fui consumida por ela, e quando dei por mim, tudo ao meu redor havia desaparecido. O que um dia me aqueceu agora me empurrava para um abismo gélido.
O que me intrigava era que eu simplesmente não conseguia desviar o olhar. Não importava o quão escura fosse aquela parede diante de mim, algo nela me prendia, como se sussurrasse verdades que eu sempre tentei ignorar. Quanto mais eu a encarava, mais fundo eu ia. E, conforme era absorvida, sentia-me cada vez mais imóvel, como se não houvesse retorno.
Talvez eu estivesse tão acostumada com o brilho que me cegou que o incomum acabou me hipnotizando. Ou talvez, no fundo, eu soubesse que esse brilho nunca foi real, apenas uma ilusão criada para me manter cega e confortável. Mas agora que estou no escuro, sem rastros daquela luz que me perseguia, percebo o quão tola fui. Me deixei encantar por algo que, por mais belo que parecesse, sempre carregou consigo a promessa da minha própria ruína. Talvez a cegueira desse brilho tenha sido a verdadeira causa da minha perdição.