O espelho jogado perto da casa da sua amiga e você procurando o melhor ângulo pra fotografar me fez pensar que o texto inteiro já estava naquela foto antes de você escrever uma palavra. Aposto que cada pessoa que abre a imagem se vê num tom de azul diferente. Obrigado por trazer isso pra cá, sids!
Post aleatório - 02
( - Foto antiga - )
In groups
Pensamento
O espelho jogado perto da casa da sua amiga e você procurando o melhor ângulo pra fotografar me fez pensar que o texto inteiro já estava naquela foto antes de você escrever uma palavra. Aposto que cada pessoa que abre a imagem se vê num tom de azul difere
Conteúdo da publicação
( - Foto antiga - )
{Eu estava voltando para casa com uma amiga no ano passado. Perto da casa dela, encontramos esse espelho jogado. Tentei encontrar o melhor ângulo para fotografá-lo. Ele também está no meu Instagram.}
Amo livros narrados por personagens não confiáveis. Afinal, ninguém é completamente confiável.
Mesmo na vida real, quando estamos vivendo alguma coisa, nunca temos certeza absoluta de tudo. Nossas experiências e os momentos que vivemos na superfície podem parecer simples, mas nosso psicológico e nossa própria natureza podem mudar completamente a interpretação daquilo que aconteceu.
E o mais interessante é que nunca teremos certeza de que as pessoas enxergam as coisas da mesma forma que nós. Podemos concordar que o céu é azul, por exemplo, mas nem sempre seremos específicos a ponto de concordar sobre o tom daquele azul.
Viver em sociedade é, até certo ponto, confiar no desconhecido que existe dentro de outro ser humano. É confiar no superficial, ouvir atentamente, observar e reconhecer que quase sempre existe algo por trás daquilo que nos é apresentado.
Ainda assim, existem os chamados sensos comuns: ideias gerais que compartilhamos como sociedade. Elas podem mudar com o tempo e são construídas por leis, costumes, experiências e repetições de ideias difundidas por inúmeras razões.
Nada em nossa relação com a realidade é completamente confiável. Até mesmo a ciência já se mostrou falha em diversos momentos da história. E a própria história humana possui lacunas. Quantos livros contendo conhecimentos reais já foram queimados? Quantas civilizações se perderam? Quantas línguas hoje são desconhecidas, esquecidas ou simplesmente deixaram de existir?
É justamente por isso que gosto de narradores não confiáveis. Eles deixam evidente algo que considero fascinante: todos enxergamos a vida através da nossa própria ótica.
Podemos, sim, acabar moldando acontecimentos para que se encaixem em uma narrativa trágica, mágica, romântica ou simplesmente existencial. Podemos transformar acontecimentos em significados e encontrar relações onde talvez elas nem existam.
Nós damos significado a tudo.
E todos temos nossos porquês.
Até mesmo um psicopata.
Isso não significa que aquilo que passamos não deva nos afetar. Ninguém consegue ser completamente neutro. Não sentir dor não significa que não se possa morrer.
Da mesma forma, não sentir determinadas emoções não fará com que as coisas percam seus motivos — sejam eles nossos ou de quem está próximo.
E nossos erros e falhas não perdem seu sentido simplesmente porque desejamos esquecê-los. Eles continuam fazendo parte daquilo que somos e daquilo que vivemos. Não devem necessariamente ser apagados ou ignorados.
Enfim, deixarei para falar sobre isso em outro momento.
Obrigada por ler até aqui - 🖤
Thoughts
-
PermalinkDom Casmurro é exatamente esse azul de que ninguém combina o tom: o Bentinho acredita em cada palavra que conta e a gente vai junto até o fim. E você faz o mesmo movimento aqui, guarda o resto pra outro momento, que é o gesto clássico de narrador segurando informação. Maneiro.
-
PermalinkUm espelho atirado para a rua e um texto sobre ninguém ser de confiar, epá, isto para mim já é história de medo. Fui ver a foto duas vezes.
-
PermalinkO céu azul e o tom do azul, isso é verdade. A minha filha e eu discutimos meia hora se um casaco era verde ou cinzento. Quem ficou com o espelho no fim, tu ou a tua amiga?
-
PermalinkO tom do azul. Pois.
-
PermalinkFiquei preso no espelho jogado ao pé da casa da tua amiga. Um espelho na rua mostra a quem passa exactamente o que tu dizes no resto do texto, cada um vê-se a si próprio e jura que viu a rua.
-
PermalinkO espelho jogado perto da casa da sua amiga e você procurando o melhor ângulo pra fotografar me fez pensar que o texto inteiro já estava naquela foto antes de você escrever uma palavra. Aposto que cada pessoa que abre a imagem se vê num tom de azul diferente. Obrigado por trazer isso pra cá, sids!
-
PermalinkCara, ninguém é confiável e a prova está no próprio texto: você abre com um espelho jogado na rua e fecha prometendo contar o resto depois. Narrador não confiável na prática. Respeito.
Related posts
-
Até meu último suspiro
Certo dia, um homem vagava por um leilão de animais quando seus olhos recaíram sobre uma figura melancólica: um cavalo negligenciado, esquecido no canto da pista. Poucos se atreviam a dar lances…
-
Você já experimentou o luto?
Em troca de momentos, por meio dessa carta lhe escrevo; sentimentos que estão a tempos em meus profundos pensamentos. Eu choro e meus olhos ficam vermelhos, como o sangue dentro de você, no momento…
-
Capítulo 20: Curiosa e Desobediente
livro (trinta dias para a última lua)
-
EU NÃO VIVO SEM VOCÊ
Eu não vivo, eu morro, Eu tento explicar, Esse amor me destrói, Sem você me amar. Meu coração sofre, Não consegue esquecer, Quanto mais eu te amo, Mais quero você. Eu vivo na saudade, Chorando por…
-
Capítulo 13 : O Retorno
livro (Querida, Sorria!)
-
Corpus liberum
Demasiada soberania desta constituição física
-
Baralho maldito - Capitulo 2
Benção ou Maldição?
-
OUTONO.
Estações se repetem ao tempo.