( - Foto antiga - )
{Eu estava voltando para casa com uma amiga no ano passado. Perto da casa dela, encontramos esse espelho jogado. Tentei encontrar o melhor ângulo para fotografá-lo. Ele também está no meu Instagram.}
Amo livros narrados por personagens não confiáveis. Afinal, ninguém é completamente confiável.
Mesmo na vida real, quando estamos vivendo alguma coisa, nunca temos certeza absoluta de tudo. Nossas experiências e os momentos que vivemos na superfície podem parecer simples, mas nosso psicológico e nossa própria natureza podem mudar completamente a interpretação daquilo que aconteceu.
E o mais interessante é que nunca teremos certeza de que as pessoas enxergam as coisas da mesma forma que nós. Podemos concordar que o céu é azul, por exemplo, mas nem sempre seremos específicos a ponto de concordar sobre o tom daquele azul.
Viver em sociedade é, até certo ponto, confiar no desconhecido que existe dentro de outro ser humano. É confiar no superficial, ouvir atentamente, observar e reconhecer que quase sempre existe algo por trás daquilo que nos é apresentado.
Ainda assim, existem os chamados sensos comuns: ideias gerais que compartilhamos como sociedade. Elas podem mudar com o tempo e são construídas por leis, costumes, experiências e repetições de ideias difundidas por inúmeras razões.
Nada em nossa relação com a realidade é completamente confiável. Até mesmo a ciência já se mostrou falha em diversos momentos da história. E a própria história humana possui lacunas. Quantos livros contendo conhecimentos reais já foram queimados? Quantas civilizações se perderam? Quantas línguas hoje são desconhecidas, esquecidas ou simplesmente deixaram de existir?
É justamente por isso que gosto de narradores não confiáveis. Eles deixam evidente algo que considero fascinante: todos enxergamos a vida através da nossa própria ótica.
Podemos, sim, acabar moldando acontecimentos para que se encaixem em uma narrativa trágica, mágica, romântica ou simplesmente existencial. Podemos transformar acontecimentos em significados e encontrar relações onde talvez elas nem existam.
Nós damos significado a tudo.
E todos temos nossos porquês.
Até mesmo um psicopata.
Isso não significa que aquilo que passamos não deva nos afetar. Ninguém consegue ser completamente neutro. Não sentir dor não significa que não se possa morrer.
Da mesma forma, não sentir determinadas emoções não fará com que as coisas percam seus motivos — sejam eles nossos ou de quem está próximo.
E nossos erros e falhas não perdem seu sentido simplesmente porque desejamos esquecê-los. Eles continuam fazendo parte daquilo que somos e daquilo que vivemos. Não devem necessariamente ser apagados ou ignorados.
Enfim, deixarei para falar sobre isso em outro momento.
Obrigada por ler até aqui - 🖤