Sinto falta da minha infância. De sentir orgulho de olhar pra trás e ver que quem era o corredor do pega-pega já tinha sumido e eu estava livre para me esconder de quaisquer perigos imaginários que um joelho ralado poderia me proporcionar.
Já imaginou o quão bom seria se pudéssemos voltar atrás? O quão bom seria se nós pudéssemos só reverter o que foi feito, sem esforço e nem nada? Eu pagaria em barras de ouro para saber o que eu teria feito naquela época com a mentalidade que tenho hoje.
Mas se fosse diferente, não seria eu.
Os traumas moldam o ser e não o contrário. Se em algum momento um deles fosse retirado de você magicamente e você nunca tivesse passado pelas coisas que passou, você ainda teria a mesma mentalidade? Conseguiria saber como lidar com as situações sem ter a mesma maturidade?
É isso que eu me pergunto, e de novo, observo o meu antigo coelhinho verde parado na cama, caído. Já se fazem quantos anos dês do dia em que ganhei esse coelhinho, e ele foi o único que realmente esteve aqui por mim, sem ir embora ou me julgar. Ele também nunca me disse nada, mas foi o único que nunca reclamou de todas as vezes que eu reclamei baixinho de alguma coisa.
Um simples coelhinho verde.