Esses dias minha vida anda tão parada que tô começando a achar que me aposentei da farra sem nem ter sido consultada. Do nada, parei de sair tanto, de conhecer gente nova, de cantar e dançar por aí. E o pior é que eu não queria parar, não. Tô doida pra sair de casa e fazer alguma coisa que renda uma história boa pra contar depois.
Minha mãe veio me visitar, a gente passou um tempinho juntas e eu também andei indo bastante à praia. A última vez foi dia 4, quando os transportes públicos estavam de graça até as oito da noite. Fui votar umas oito da manhã e depois fiquei andando igual uma maluca atrás da minha prima, que teve a brilhante ideia de inventar uma praia de última hora.
Cheguei em casa quase uma da tarde, tomei banho e desci pro ponto. O ônibus tava tão quente que eu juro que, se alguém me oferecesse um copo d'água, eu aceitava até sem perguntar de onde veio. Quando chegamos em Ipanema, o sol já tinha ido embora. Acho que ele me viu chegando e decidiu que não queria participar daquele passeio.
Lá pelas quatro da tarde, voltamos pra Vila Isabel porque queríamos acompanhar a apuração dos votos. No fim, não acompanhamos quase nada. Ficamos conversando, rindo e contando umas histórias tão absurdas que, sinceramente, foram a melhor parte do dia.
E é engraçado, porque eu gosto desses momentos, gosto de sair e dar risada até a barriga doer. Só que tô sentindo falta daquela agitação, sabe? De me arrumar sem saber direito como a noite vai terminar, conhecer gente aleatória e voltar pra casa pensando "meu Deus, olha o que aconteceu hoje".
Enfim, não quero nem saber de aposentadoria agora. Se a vida puder voltar a me dar umas histórias boas, eu agradeço.