condensou em poucos parágrafos o que às vezes leva livro inteiro pra falar direito
Ovelha Pergunta Sem resposta
Pensamento
condensou em poucos parágrafos o que às vezes leva livro inteiro pra falar direito
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Clarice Lispector escreveu que "amar é dar de presente aquilo que não se tem", enquanto Machado de Assis cravou que "cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar".
Se o amor é mesmo um camaleão, a minha história com o Ovelha foi o momento em que ele mudou de cor mais rápido do que a minha capacidade de entender e acompanhar. A literatura e poesia sempre foi o nosso código secreto. Quando nos encontramos aos meus catorze anos, naquele corredor de duas cadeiras onde nossas almas vagavam sem eira nem beira, éramos apenas dois poetas tentando traduzir a vida. Mas o que começou com um desejo carnal, logo virou a construção do nosso próprio império, e assim erguermos um castelo inteiro feito de memórias.
Fomos mestres em habitá-lo. Tijolo por tijolo, desenhamos esse abrigo no caminho do bairro dele que decorei de cor, nas idas repetidas ao mesmo shopping, nos jogos, na nossa cama, nas músicas que compartilhávamos e em cada consolo que encontrávamos um no outro. Sabíamos ser felizes no ordinário. Mas todos os castelos guardam seus fantasmas
Evitei essa conversa com a página em branco durante muito tempo. Havia um receio velado em encarar o peso de um sentimento que não diminuiu com a distância. A verdade mais incômoda é que o amor por você permanece intacto, mas a maturidade me obriga a reconhecer que gostar não é mais o suficiente para sustentar o que fomos.
A gente cresce alimentando a ilusão de que o afeto verdadeiro é imune ao tempo e ao desgaste, que duas pessoas sentimentais e apaixonadas sempre encontrarão uma saída triunfante. A vida real, no entanto, é menos generosa do que os romances. Descobri na prática que o amor e a dor podem habitar a mesma casa e que, às vezes, a única forma de preservar a beleza de uma história é aceitando o seu ponto final.
O que mais machuca não é a ausência do sentimento, mas a desconstrução da expectativa. Aceitar que nem todos os encontros grandiosos foram feitos para durar a vida inteira exige uma coragem silenciosa. O Ovelha e eu fomos a poesia mais bonita que já escrevi, mas o nosso fim me ensinou a lição mais dura de todas: a de que algumas pessoas cruzam o nosso caminho para ser abrigo e aprendizado, mas não permanência.
Vou deixar uma pequena parte nós aqui no fundo do peito, bem escondido, onde ninguém pode mexer. O fato é que essa relação existiu, e foi tão boa que eu faço questão de me recordar dos nossos momentos bons e ruins diariamente. Eu tenho fragmentos de uma vida com ele. Se eu soubesse que ia terminar tão de repente... teria ido mais uma vez ao mesmo shopping, teria o encontrado no mesmo bairro, teria fugido ao seu encontro de madrugada novamente, teria ligado novamente, eu teria aproveitado mais.
Eu te amo.
Respostas
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Permalinktu ainda passa por aquele bairro ou depois disso ficou só em memória mesmo
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Permalinkachei muito forte aquela parte de que o amor continuava intacto mas não era suficiente
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Permalinkgostei demais do castelo de memórias porque é exatamente como as pessoas carregam aqui no estúdio
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Permalinktu escribiu isso de uma vez ou foi pedaço por pedaço até conseguir por em palavras
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Permalinkcondensou em poucos parágrafos o que às vezes leva livro inteiro pra falar direito
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