Ukami.
Nesse mundo cego, escuto vozes de outro mundo.
Meu olho tá vermelho — não, não é porque eu tô chapado.
Tenho que sair daqui, antes que me levem pro passado.
Rabiscos de covardia quentes.
Corpos sujos, corações entediados.
Mais copos cheios do que corações amados.
Filho da maçã que a Eva comeu.
Eu não mudei — me mataram pra me mudar.
Não falo muito, às vezes eu tô só cansado.
Achei meu cupido chapado, bêbado na praça.
Acreditar em mentira é pedir pra ser escarro.
Chamavam de jovem promissor — no meu vacilo virei contrário.
Seres de outro mundo falando no oco da mente.
Chamavam de malucos, mas pra mim eram referência.
Eu, observando o caos da janela.
Desculpa, eu não sei falar de amor.
Mas por ti… por ti eu tento.
Buscando tragos de uma ilusão.
Nasci pra ser o filho perfeito.
Mas o experimento deu errado.
A dualidade me habita nos dois extremos.
Essa guerra interna me fez refém dos meus próprios medos.
Me mato todo dia tentando me salvar.
Nas esquinas, virado, no meio da fumaça.
Viajo o mundo inteiro nas tuas curvas.
Nóis é fogo sem brasa — qualquer tapa, a gente pula.
Tu sabe que a solidão machuca.
Vê se não me esquece.
Tu sumiu feito beija-flor…
Tô torcendo pro tempo curar essa dor.
Vivendo atrofiado em amores que nem dá pra confiar.
Já pensou nós dois de mãos dadas rabiscando uns muros?
Oh minha Julieta tu não sai da minha cabeça…