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Já não sei mais se é so sono

Ukami
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Já não sei mais se é sono

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Já não sei mais se é sono

Ukami.

Só talvez um grito ou um choro contido,

Ou quem sabe um corte mal definido.

Sinto coisas que não sei explicar,

Talvez seja sono, vontade de parar.

Quando o sono me vem, tudo dói mais fundo,

Minhas feridas se escondem do mundo.

Dizem que eu tenho que ser alguém,

Mas já sou algo, acho que também.

Não nasci por acaso, embora eu duvide,

Nesta vida passageira, calma é o que me define.

Só quero paz nessa guerra de poder,

E à noite os meus medos começam a crescer.

É morte lírica quando escurece,

E renasço no dia, mesmo que me esquece.

Meu fardo é poder, minha queda é o amor,

São capítulos soltos, tardes de dor.

Vivi amores rasos, mas mergulhei inteiro,

Falar o que sinto me faz prisioneiro.

Dizem que é egoísmo dizer o que penso,

Mas calar o que sou me torna mais denso.

Moleque sagaz, no erro acertando,

Mas o oco me pega quando fico pensando.

Me curo aos poucos da mente em brasa,

Mas o nó ainda mora dentro de casa.

Sinto o desespero de um medo sem cor,

De talvez te perder, de esquecer o amor.

Tenho medo, sim — mas tenho minha espada,

Mesmo que a força em mim seja forçada.

Lágrimas de areia, olhos cheios de sal,

Olho pra Saturno — silêncio espacial.

Quero dizer tudo, mas é só madrugada,

E a rua e a casa já não dizem nada.

Algo me congela lá dentro, eu sei,

Ou talvez seja sono, como falei.

Vamos andar até o alto do mar,

Quero fugir e rir, mas deixa dar 6 da manhã.

Versos da noite que o sol nunca viu,

Batidas do peito que ninguém traduziu.

Me procurando em lugares que nunca pisei,

Surtar faz parte do processo,

O retrocesso também é avanço.

Levei facadas de gente fina.

No fim, era sono que não quis ficar,

Fugiu de manhã sem se despedir no olhar.

Conselhos escorrem do fundo do vinho,

No fundo do copo, rostos sem ninho.

Hoje, só hoje, eu

queria viver,

Mas aquele nó insiste em doer.

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