Eu queria poder atravessar a noite
e encontrar você do outro lado,
como quem atravessa um sonho
só para finalmente acordar
dentro do seu abraço.
Mas entre nós existem quilômetros,
estradas que não posso percorrer com as mãos,
um céu enorme separando dois corpos
que, mesmo longe,
parecem pertencer ao mesmo coração.
E talvez seja isso que mais dói:
saber que existe um abraço meu
esperando por você,
mas meus braços ainda não encontraram
o caminho até os seus.
Às vezes, olho para o céu
e penso que a mesma lua
que ilumina o meu quarto
também toca o seu rosto.
E então sorrio,
porque por alguns segundos
a distância deixa de existir.
Você está longe dos meus olhos,
mas nunca esteve longe de mim.
Está nas músicas que escuto,
nas mensagens que releio antes de dormir,
no silêncio que, de repente,
fica cheio da sua voz.
Está naquele instante inexplicável
em que meu coração aperta
sem motivo aparente —
e eu descubro que o motivo
é simplesmente sentir sua falta.
Eu não quero um amor
que exista apenas quando estamos perto.
Quero o nosso.
Aquele que sobrevive aos dias difíceis,
aos fusos horários,
à saudade,
às noites em que tudo o que eu queria
era ouvir sua respiração ao meu lado.
Porque amar você de longe
me ensinou uma coisa:
que existem presenças
que não precisam de um corpo por perto
para serem sentidas.
Você é uma delas.
E se algum dia
a saudade perguntar
por que ainda espero,
eu vou responder:
“Porque vale a pena esperar
por aquilo que o coração
reconheceu como lar.”
Um dia,
não haverá uma tela entre nós.
Não haverá “boa noite” por mensagem,
nem beijos enviados pelo celular,
nem a frase
“queria que você estivesse aqui”.
Haverá você.
E haverá eu.
Frente a frente.
Talvez eu fique em silêncio,
porque depois de tanto tempo
nenhuma palavra será suficiente.
Talvez eu apenas chore,
te abrace forte
e feche os olhos.
E nesse abraço,
todos os quilômetros que nos separaram
vão finalmente perder o significado.
Porque.