Carta para o Amor
Primeiros passos começam no jardim de infância.
Aí você observa o amor:
branco, seu favorito, moreninho,
a cor dos olhos,
como ele é gentil,
amoroso, cuidadoso.
Somente está no caminho dizer: “feia”.
Coloca obstáculos, sua autoestima baixa.
Até criança não sabia o que era molestamento.
Até ficar louca, aos 30 anos,
lembra do trauma,
entende por que, quase aos 37 anos, está sozinha.
Não consegue namorar,
nem passar seu número,
porque ela é tóxica.
Também suporta pressão psicológica.
Como uma vai ficar louca,
morrer, se matar
por aquilo que sente,
que ninguém quer entender,
nem apoiar ela?
Sabe dizer que talvez ela seja um sapato,
mas não sabe por que ela tem medo.
Amor, de falar amor,
tudo que sinto
quando era criança,
quanto eu sofri,
quando não tinha carinho,
não tinha voz.
Apenas menina nasceu “capeta”,
não só revoltada,
mas com tanta mentira que nasceu.
Ninguém me disse que me amava.
Ninguém dizia que eu era linda.
Nunca tive elogio,
somente crítica e comparação,
que eu era como um cão,
apenas merecia migalhas da família.
Ninguém sabia que meu coração doía.
Apenas aprendi a buscar amor.
Aos 16, nem fui atrás.
Tudo culpa da minha irmã
do meu medo de beijar,
porque não sabia o que queria da vida.
Não tinha foco,
porque tinha preguiça no cérebro.
Se pensasse, ela dormia.
Diferente de mim, era curiosa
sobre a vida, sobre a história.
Nunca contava minha vida,
tão pouco chorava.
Sobre tudo que a família fez,
sempre guardei mágoas,
desprezo, rejeição,
festa, presente.
Está bom.
Não, pai, daí...
Olha como sou, meu caráter.
Apenas preciso de uma mãe,
nunca ser como ela.
Sim, julga, condena,
para ser pior que ela.
Não ter ódio dos filhos,
amantes ou divorciados
que nunca serão esposos.
Assim diz a Bíblia:
você sempre estará com o amante.
Ele não é seu esposo.
Aí aprendi, tempos em tempos,
tentei achar amor na igreja,
nunca achei.
Tentei achar amor em baladas,
nunca achei.
Tentei viajar para encontrar o amor,
nunca encontrei.
Tentei fugir para Curitiba
para achar amor,
nada encontrei.
Apenas encontrei
uma solidão muito profunda.
Mas encontrei um amor tão grande na igreja.
Eu encontrei meu amor no sacrário.
Porque, mesmo que não pareça,
para dizer “eu te amo”,
Ele sempre estava lá para escutar.
Apenas dava sinais no vento.
Sim, Ele cuida de mim
todo o tempo.
Sinais de pessoas que se encostam,
adúlteros, amantes, jogadores,
quadrilhas que usam
o corpo e a boca
sem nenhum pudor ou vergonha.
Apenas papel do vaso
para limpar a bunda.
Que amor é esse que ele quer?
Que amor tem?
Merda para oferecer amor.
Apenas alguns vêm para confundir,
outros vêm para ser lição.
Imagina, meu filho,
filho de cão,
imagina quanto vou chorar,
dizer que amassei pão
que o diabo comeu...
Apenas imaginei
que prazer seria lindo.
Entendi, na pornografia,
que o amor é frio,
como um vídeo pornô.
Sim, ensina a ter vício,
a ser frio.
Apenas nada preenche.
Apenas estou me deitando
com uma boneca ou um boneco
que tira a roupa,
vira os olhos,
finge que goza.
Sonhei com família e filhos,
mas nada aconteceu.
Sobre tudo que vim trazer do destino...
Caí na estrada
para confundir os sábios.
Beijei muitos sapos
que nunca viraram príncipes.
Nunca mereceram beijar
as pontas dos pés.
Apenas ainda sonho com o amor,
mas de uma forma diferente,
com fracasso.
Não existe perfeição.
Porém, com palavras,
teremos uma casa sobre a rocha.
Sempre confiança,
só de um corpo sem mentira,
sem desculpa,
sim, certeza
de que vai pedir minha mão em casamento!
Serei noiva dele!
Ana Cristina Poronhak de Carvalho