Aquele pôr do sol
Aquele pôr do sol não tinha nada de extraordinário para quem passava apressado. Era apenas mais um fim de tarde pintando o céu de laranja, dourado e vermelho.
Mas, para mim, ele carregava um silêncio diferente.
Enquanto o sol desaparecia no horizonte, percebi que algumas coisas também precisavam partir. Mágoas que eu insistia em guardar, saudades que já não encontravam abrigo e expectativas que nunca se tornariam realidade.
O céu parecia me ensinar que até a luz mais intensa sabe a hora de ir embora, sem fazer barulho. E, ainda assim, promete voltar no dia seguinte.
Talvez seja isso que a vida tente nos mostrar: nem todo fim é uma perda. Alguns finais apenas abrem espaço para um novo amanhecer.
Naquele pôr do sol, eu não encontrei todas as respostas. Mas encontrei coragem suficiente para deixar o ontem descansar e permitir que o amanhã chegasse sem o peso do que não pude mudar.
Desde então, sempre que o céu começa a mudar de cor, eu me lembro daquele fim de tarde. Não pelo sol que se foi, mas pela pessoa que comecei a me tornar quando decidi seguir em frente.