Meu pai foi carteiro,
pizzaiolo,
vendedor de seguros,
pescador,
vendedor de abacaxi,
almoxarife.
Muitas vezes precisou viajar
para outras cidades.
De Araucária
trouxe-me um violão,
que guardo até hoje.
Sei tocar apenas alguns acordes
maiores e menores,
mas o guardo.
Um dia,
levou-me ao SENAI
para prestar uma prova.
Chovia.
Ele não falava (eu também não).
Só dirigia.
Anos mais tarde vieram
os concursos
em cidades distantes.
Cada viagem
era uma aventura.
Chegávamos, eu entrava
e ele esperava.
Fiquei desempregado.
Ele nunca me humilhou.
Procurava trabalho para mim.
Trazia recortes de jornal,
nomes de empresas,
distribuía meu currículo
nas agências.
Vinícius de Souza