O Vento
Sou apenas vento...
Apenas me escondo na floresta.
Veio por trás do vento
uma escuridão.
Pensamento de morte,
como memória de um sítio.
Mas como se tivesse
me perdido no vento.
Minha audição,
como uma antena,
piscou até achar o pecado.
Como um índio,
ou um guarani.
Como posso ser uma parabólica
para achar os segredos
que estão escondidos no mundo,
onde só Deus e o vento
sabem como se chama
o segredo.
Você se lembra do segredo?...
Como uma carta,
três pergaminhos.
Um segredo de sacerdote
e uma promessa de sítio.
Às vezes, lembro
que seria melhor ser surda,
para não escutar
os segredos.
Como eu te achei
atrás da floresta...
Por que atacou meu coração?
Você veio como um ladrão,
como o vento,
como a escuridão.
Te achei...
Ana Cristina Poronhak de Carvalho