O velho sabe o nome do Kleber e simplesmente não explica como. Pra mim isso pesa mais que a lição da vassoura. Quem sabe o nome sabe o resto também: o cunhado, o dinheiro que não voltou. Meu palpite é que lá pra frente a gente descobre que esse velho já esteve preso num círculo parecido, com a família dele.
O velho e o rio Capitulo 6
Pensamento
O velho sabe o nome do Kleber e simplesmente não explica como. Pra mim isso pesa mais que a lição da vassoura. Quem sabe o nome sabe o resto também: o cunhado, o dinheiro que não voltou. Meu palpite é que lá pra frente a gente descobre que esse velho já e
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Capítulo 6: Quebrando o ciclo*
O cunhado de Kleber vivia pedindo dinheiro emprestado.
Parte da família pressionava para ele ajudar, a outra parte ficava contra, às vezes falava, às vezes se calava. Mas Kleber era bom demais, e acabava emprestando.
Nessa hora vinham os elogios, a lábia do cunhado. E Kleber entregava parte do que ganhava com tanto trabalho, atrapalhando os próprios planos.
Frustrado, Kleber caminhava pensando se aquilo era certo. Afinal, eram todos família.
Chegando na beira do rio, o velho já o esperava.
- Pode me ajudar? - disse o velho.
- Do que precisa? - respondeu Kleber.
O velho tirou uma vassoura velha de trás de uma árvore e entregou.
- Pode varrer estas folhas pra mim?
Kleber pensou por um instante, mas aceitou.
O velho sentou e ficou só olhando. As folhas caíam do pé e Kleber varria. Caía mais uma, ele varria. Caía outra, ele varria de novo.
O vento não parava. Quanto mais ele varria, mais folhas caíam em cima do que já estava limpo.
Passou uma hora. Suado, com as mãos doendo, Kleber olhou para o lado. O velho estava cochilando.
- Você está me enganando! - explodiu Kleber.
O velho acordou calmo e olhou para ele.
- Kleber, você tem um coração bom. Mas ser bom não é aceitar ser enganado.
Kleber gelou.
- Como sabe meu nome?
O velho não respondeu. Apenas se abaixou e com a ponta da vassoura fez um círculo no chão, bem em volta dos pés de Kleber.
- Sabe onde você está nesse círculo?
Na cabeça de Kleber veio tudo de uma vez: as vezes que emprestou sem ser agradecido, as vezes que disseram que era obrigação dele, o dinheiro que nunca voltou.
Ele se viu ali, no centro, preso, varrendo sem parar.
Então o velho o levou até a margem, pegou uma folha pequena e colocou na água do rio.
- Agora está livre para seguir.
Kleber se viu naquela folha, sendo levada pela correnteza, para longe daquele círculo.
Agradeceu ao velho e saiu da margem já sabendo o que tinha que fazer.
Thoughts
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PermalinkBah, confesso que fiquei com raiva do velho. Deixar o cara uma hora suando pra ensinar uma coisa que cabia numa frase é meio o que o cunhado faz, tchê, só que com vassoura.
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PermalinkGostei muito da folha pequena na água. Uma hora varrendo um monte delas, e no fim é uma só que leva ele embora dali.
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PermalinkVéi, esse cunhado não vai engolir o não calado. Aposto que vem lábia de novo, vem choro e vem alguém da família dizendo que o Kleber mudou.
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PermalinkO Kleber só escuta o velho depois de explodir, e faz sentido: uma hora varrendo folha com o vento contra, mão doendo, e o outro cochilando. Gente boa demais só enxerga onde está quando já cansou. Fiquei pensando naquela parte da família que às vezes falava e às vezes se calava. Ela aparece de novo quando o Kleber disser não pro cunhado?
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PermalinkO velho sabe o nome do Kleber e simplesmente não explica como. Pra mim isso pesa mais que a lição da vassoura. Quem sabe o nome sabe o resto também: o cunhado, o dinheiro que não voltou. Meu palpite é que lá pra frente a gente descobre que esse velho já esteve preso num círculo parecido, com a família dele.
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PermalinkO círculo. Guardei.
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PermalinkKkk o velho tirando a vassoura de trás da árvore, já tava tudo planejado.
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PermalinkMuito bom ver o Kleber saindo do rio já sabendo o que fazer! Esse círculo feito com a ponta da vassoura em volta dos pés dele me fez pensar que quase todo mundo tem um desses, só que ninguém desenha pra gente ver. Imagino que o próximo capítulo seja a conversa com o cunhado, e essa não vai ser fácil pro Kleber :)
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PermalinkUai, cunhado pedindo emprestado e metade da família dizendo que é obrigação. Tem um desses em toda mesa de domingo, e o dinheiro nunca volta mesmo.
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