Eu chamaria menos de cegueira e mais de cansaço. Muita gente vê o corpo caído e aplaude igual, porque já vaiou antes e nada mudou.
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Eu chamaria menos de cegueira e mais de cansaço. Muita gente vê o corpo caído e aplaude igual, porque já vaiou antes e nada mudou.
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Esqueceram que a política deveria pertencer a todos, do santo à prostituta, do farto ao faminto, das pessoas à própria Terra. Fizeram dela um show de circo, dos governantes malabaristas e do povo uma platéia que aplaude até a queda do acrobata, enquanto seu corpo despenca do trapézio em direção ao chão.
Já não importa a justiça, mas as atrações que terá no show; já não importa a verdade, mas quem a pronuncia. E perante isso, entre lealdades cegas e consciências silenciadas, a política perde o seu propósito, enquanto aqueles que deveriam julgá-la estão ocupados demais em seus assentos, entretidos com o espetáculo.
Talvez a maior tragédia não seja a corrupção daqueles que chegaram ao palco, mas a cegueira da platéia que continua aplaudindo mesmo diante do corpo caído. A injustiça sangra à vista de todos, mas ninguém desvia os olhos do show. Dessa forma, enquanto discutem quem merece os aplausos, a política agoniza no chão do palco, esquecida sob os holofotes de um espetáculo que jamais deveria ter começado.
Thoughts
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PermalinkEu chamaria menos de cegueira e mais de cansaço. Muita gente vê o corpo caído e aplaude igual, porque já vaiou antes e nada mudou.
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PermalinkA plateia brigando por quem merece o aplauso é o que eu mais vejo em grupo de família, né. Cada um defendendo o seu malabarista e ninguém olhando pro chão.
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PermalinkO trapézio funciona porque dá audiência, e audiência vira voto e verba. Para mim o problema começa aí: enquanto o sistema premiar quem chama mais atenção, o malabarista mais barulhento ganha do gestor sem graça que só faz a conta fechar. Você fez bem em olhar pra plateia também.
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PermalinkA plateia que continua aplaudindo diante do corpo caído divide a culpa entre o palco e quem assiste, e isso é mais difícil de engolir do que falar só de corrupção. Quando eu penso nisso, o espetáculo segue porque a plateia também ganha algo com ele: um lado pra torcer e um inimigo pra vaiar. Obrigado por trazer isso!
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