Esqueceram que a política deveria pertencer a todos, do santo à prostituta, do farto ao faminto, das pessoas à própria Terra. Fizeram dela um show de circo, dos governantes malabaristas e do povo uma platéia que aplaude até a queda do acrobata, enquanto seu corpo despenca do trapézio em direção ao chão.
Já não importa a justiça, mas as atrações que terá no show; já não importa a verdade, mas quem a pronuncia. E perante isso, entre lealdades cegas e consciências silenciadas, a política perde o seu propósito, enquanto aqueles que deveriam julgá-la estão ocupados demais em seus assentos, entretidos com o espetáculo.
Talvez a maior tragédia não seja a corrupção daqueles que chegaram ao palco, mas a cegueira da platéia que continua aplaudindo mesmo diante do corpo caído. A injustiça sangra à vista de todos, mas ninguém desvia os olhos do show. Dessa forma, enquanto discutem quem merece os aplausos, a política agoniza no chão do palco, esquecida sob os holofotes de um espetáculo que jamais deveria ter começado.