Os humanos sempre tiveram medo da escuridão.
Inventaram monstros para justificá-la, criaram lendas para explicá-la e chamaram de mal tudo aquilo que não conseguiam compreender.
Foi mais fácil assim.
Durante séculos, pequenas luzes continuaram aparecendo entre as árvores. Alguns diziam que eram espíritos. Outros, que eram almas perdidas procurando descanso.
Eles estavam errados.
As luzes nunca estiveram perdidas.
Estavam apenas esperando.
Esperando o momento em que o mundo voltaria a se lembrar do que tentou esquecer.
Ela também esperava.
Observava os humanos vivendo suas vidas, construindo cidades, criando guerras e chamando aquilo de evolução.
Nunca interferiu.
Ainda não.
Porque toda história precisa chegar ao fim antes que outra possa começar.
Na noite em que as luzes finalmente voltaram a cantar, todas se reuniram ao redor dela.
Nenhuma palavra foi dita.
Nenhuma ordem precisou ser dada.
Elas apenas reconheceram sua presença.
E foi então que o mundo cometeu seu último erro.
Passou a chamá-la de lenda.
Quando, na verdade...
ela sempre foi aquela de quem as lendas tentavam proteger a humanidade.