Texto bom permite várias leituras. O leitor dá a ele o direcionamento.
Determinado personagem ou mesmo um cenário descrito tem cores e formas, tom de voz e saturação conforme quem lê.
E nossas manifestações de amor, relatos e expressões?
Falar de um amor passado é promover o diálogo entre quem sublimou e quem ainda retorna ao reprimido, ao luto mal vivido.
“Todo ponto de vista é a vista de um ponto”, afirmou alguém.
Recordo-me de Florbela Espanca, mas também de Adélia Prado. Clarice também. Já passei por todas elas. Fui todas.
Por vezes uma me alegrava, pra anos depois, eu ter pena. Outra criava em mim um cenário de paz e alegria na rotina, pra hoje me causar tédio. A outra é a expressão do cansaço e do imperativo que é estar vivo, e por isso escrever.
Então, por épocas sentimos um amargor, e por outras um saudosismo. Há ainda a leitura do que valeu a pena ter ido e vindo.
O leitor amargurado de hoje será o escritor encantado de amanhã. Já o encantado falará sobre o amargor da decepção.
O que você despreza aos 25 pode surpreender na meia idade.