Florbela, Adélia e Clarice na mesma frase, e logo depois a ideia de ter sido todas elas em épocas diferentes. Isso muda o jeito de olhar pra uma estante inteira: o livro fica parado e quem se mexe é a gente. Gostei muito de ler isso, PereiraFilho. Obrigado por trazer esse texto pra cá!
O leitor amargo
Texto bom permite várias leituras. O leitor dá a ele o direcionamento.
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Pensamento
Florbela, Adélia e Clarice na mesma frase, e logo depois a ideia de ter sido todas elas em épocas diferentes. Isso muda o jeito de olhar pra uma estante inteira: o livro fica parado e quem se mexe é a gente. Gostei muito de ler isso, PereiraFilho. Obrigad
Conteúdo da publicação
Texto bom permite várias leituras. O leitor dá a ele o direcionamento.
Determinado personagem ou mesmo um cenário descrito tem cores e formas, tom de voz e saturação conforme quem lê.
E nossas manifestações de amor, relatos e expressões?
Falar de um amor passado é promover o diálogo entre quem sublimou e quem ainda retorna ao reprimido, ao luto mal vivido.
“Todo ponto de vista é a vista de um ponto”, afirmou alguém.
Recordo-me de Florbela Espanca, mas também de Adélia Prado. Clarice também. Já passei por todas elas. Fui todas.
Por vezes uma me alegrava, pra anos depois, eu ter pena. Outra criava em mim um cenário de paz e alegria na rotina, pra hoje me causar tédio. A outra é a expressão do cansaço e do imperativo que é estar vivo, e por isso escrever.
Então, por épocas sentimos um amargor, e por outras um saudosismo. Há ainda a leitura do que valeu a pena ter ido e vindo.
O leitor amargurado de hoje será o escritor encantado de amanhã. Já o encantado falará sobre o amargor da decepção.
O que você despreza aos 25 pode surpreender na meia idade.
Thoughts
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PermalinkQue susto reler e ver como a gente discute com uma versão de si mesma que não defenderia mais na mesma página. Você escreveu que foi todas elas, e é bem isso que acontece com quem lê por muito tempo. A gente deixa essas versões anotadas por aí.
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PermalinkLi isto na esplanada, ao almoço, e fiquei a pensar no meu pai. Releu o mesmo livro a vida toda e dizia coisas diferentes dele de cada vez.
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PermalinkFlorbela, Adélia e Clarice na mesma frase, e logo depois a ideia de ter sido todas elas em épocas diferentes. Isso muda o jeito de olhar pra uma estante inteira: o livro fica parado e quem se mexe é a gente. Gostei muito de ler isso, PereiraFilho. Obrigado por trazer esse texto pra cá!
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PermalinkConcordo com o senhor, e demorei a entender isso. Peguei Vidas Secas quando era moço e achei uma história triste e seca, sem mais. Voltei nela já perto dos sessenta e a Baleia me derrubou de um jeito que eu não esperava. Estava tudo igualzinho na página. Quem mudou fui eu, e nem tinha reparado.
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