Eu faço igual, no bloco do celular, parada no ponto às seis da manhã com a mão gelada 😅. por isso os rabiscos no papelão esperando a condução ficaram comigo. gostei muito dessa parte.
O todo
Pensamento
Eu faço igual, no bloco do celular, parada no ponto às seis da manhã com a mão gelada 😅. por isso os rabiscos no papelão esperando a condução ficaram comigo. gostei muito dessa parte.
Conteúdo da publicação
Uma pequena lista, poucas linhas que te mostram. O todo que te amedronta. E você, sem medo, admite, mesmo que no fundo se arrependa.
O todo sempre fica. Sua base, mesmo que você não goste.
6 litros de Coca-Cola, para curar a ferida.
8 gatos em casa e mais alguns na rua.
2 copos preenchidos de leite, que em duas horas vão te dar a maior dor de barriga.
4 cadernos cheios de textos guardados no guarda-roupas.
Inúmeras folhas cheias de versos perdidas em algum tempo. Você e o tempo esqueceram. Versos esses que você quis mostrar para o mundo, um olhar diferente do seu.
Rascunhos, rabiscos em um pedaço de papelão. As palavras te tomaram no meio da rua enquanto esperava a condução.
O tambor que guarda suas roupas espera novamente por sua organização. Algum dia, em alguma hora, você organiza e fala novamente que vai manter. Nós dois sabemos que isso nunca vai acontecer. Em um minuto, você desorganiza sem nem perceber.
O par de chinelos em algum cômodo qualquer da casa. Você sempre tem que procurar quando precisa sair de casa.
As fotos desorganizadas em seu telefone. Passado e presente em que você sempre viaja quando se depara. Sim, o tempo muda e avança diante dos nossos olhos.
Na estante improvisada, a fé está depositada. A rosa vermelha segurada por uma garrafa de cerveja encontrada na rua, velas, incensos, seu baralho. Ocupam o pequeno espaço representante de quem sempre te ajudou.
A bicicleta guardada na sala, sua esperança.
O bloco do telefone está cheio das palavras, as poucas que você permitiu mostrar.
Poucos contatos, raras conversas. Mas, para você, isso basta. O pouco é cheio do que faltava no muito.
Corpo inquieto, lentamente ele aprende que não é preciso ter pressa. Desacelera. E isso ainda te incomoda.
O todo sempre fica.
A bagunça, sua fé, seus versos.
Você não gosta, queria algo diferente. Está cansada da mesma coisa. E eu te entendo.
É triste e lindo ver que o todo sempre foi leal. Não muda, mesmo que você tente, mande embora, por vezes o odiando. O tempo leva o que é ruim. Talvez você devesse olhar um pouco diferente.
O todo nunca foi o problema.
Texto autoral
Thoughts
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PermalinkOito gatos. Eu ri alto 😂
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PermalinkAi, a bicicleta na sala.
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PermalinkVoltei ao texto hoje cedo e só agora reparei nos dois copos de leite que dão dor de barriga. E ela toma assim mesmo.
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PermalinkEu faço igual, no bloco do celular, parada no ponto às seis da manhã com a mão gelada 😅. por isso os rabiscos no papelão esperando a condução ficaram comigo. gostei muito dessa parte.
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PermalinkA rosa vermelha segurada pela garrafa de cerveja me fez lembrar de uma tia minha, minha filha. Ela punha flor em vidro de maionese e dizia que santo num olha vasilha, olha intenção.
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PermalinkBah, os quatro cadernos no guarda-roupa. Fiquei remoendo a parte das folhas soltas que o tempo esqueceu junto contigo, porque eu sempre botei isso na conta do meu relaxo. Aqui parece outra coisa, parece que o guardado só fica quieto esperando. E reparei: essa lista tu soltou. O resto ficou lá dentro e essa saiu.
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PermalinkPensei que isto era uma queixa de quem está farta da casa. Cheguei ao fim e a moça já tinha decidido ficar com aquilo tudo.
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PermalinkLi isso em voz alta pra minha mãe ontem e ela mandou parar na parte dos oito gatos. Disse que uma senhora que morava do lado tinha nove e ninguém nunca reclamou, só contava. Depois a gente ficou discutindo o que essa lista é, e não chegamos a acordo. Ela garante que é inventário de gente que não quer perder nada.
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PermalinkPassei um tempo parado no bloco do telefone cheio de palavras, as poucas que você permitiu mostrar. A lista inteira é de coisa guardada, e mesmo assim você escolheu soltar justo esta aqui, que fala de tudo o que ficou dentro. Obrigado por publicar! É exatamente o tipo de texto que eu gosto de encontrar por aqui.
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PermalinkTenho um quarto na pousada que eu chamo de quarto da bagunça, uai, é onde vai parar tudo que eu prometo arrumar no domingo. Faz uns nove anos que eu prometo. Teu tambor de roupa me fez rir e depois me deu um aperto, porque conheço essa promessa de cor. Domingo passa e o quarto continua lá, esperando a mesma coisa.
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Uma pequena lista, poucas linhas que te mostram. O todo que te amedronta. E você, sem medo, admite, mesmo que no fundo se arrependa.