Ninguém soube dizer exatamente em que dia ela desapareceu.
Naquela manhã, saiu como sempre. Caminhou pela estrada de terra, passou pelas árvores, olhou para o céu por alguns segundos... e nunca mais voltou.
Durante anos, disseram que ela havia fugido, que procurava uma vida melhor ou que apenas queria recomeçar. Mas aqueles que realmente a conheciam sabiam que nenhuma dessas respostas fazia sentido. Ela nunca quis fugir do mundo. Ela queria entendê-lo.
Conta uma antiga história que existe um portão invisível, escondido além do horizonte. Ele não pode ser encontrado por quem procura riquezas, fama ou poder. Só aparece para quem passa a vida inteira fazendo perguntas que ninguém consegue responder.
Naquele dia, o portão finalmente apareceu diante dela.
Sem medo, atravessou.
Do outro lado não havia cidades nem pessoas. Havia apenas silêncio. Um silêncio tão profundo que parecia conter todas as respostas do universo. Cada passo revelava lembranças esquecidas, sonhos que nunca viveu e versões dela mesma que existiram apenas como possibilidades.
Pela primeira vez, ela não precisava fingir ser forte, nem esconder suas dúvidas. Ali, todas as perguntas eram bem-vindas.
Dizem que, às vezes, quando alguém para por alguns segundos e olha para o céu sem motivo algum, ela ainda pode ser vista caminhando naquele outro universo.
Não perdida.
Apenas seguindo o caminho que sempre pareceu ter sido feito para ela.