Tem duas prisões diferentes nesse texto: a regra que vem de fora e o acordo que a própria pessoa aceitou por medo de perder. A segunda me parece a que desgasta de verdade, e nenhum modelo de relação protege dela.
O peso dos títulos
Pensamento
Tem duas prisões diferentes nesse texto: a regra que vem de fora e o acordo que a própria pessoa aceitou por medo de perder. A segunda me parece a que desgasta de verdade, e nenhum modelo de relação protege dela.
Conteúdo da publicação
Tem algo que eu nunca entendi nas relações.
Por que nos conter por conta de um título?
Por que medir o nosso carinho para não parecer estranho?
Por que não podemos experimentar outras formas de amar só por estarmos comprometidos?
Tudo isso para mim parece mais uma prisão,
Pois não podemos demonstrar nossos sentimentos sem o risco de sermos abandonados.
Não podemos aproveitar o momento por preocupações invalidas.
Só são importantes porque foi o que colocaram em nossas cabeças desde sempre.
Eu queria poder mostrar meu amor sem me limitar,
Onde posso beijar sem que pensem que deixei de amar.
Principalmente em um relacionamento,
Onde isso seria visto como falta de caráter.
Eu separo minhas relações pela grandeza do sentimento,
E não por títulos regrados.
Tem pessoas que quero que estejam mais presentes na minha vida,
Outras não preciso que estejam nela, por mais que ainda me importe.
Só que isso não anula meus desejos e nem o meu carinho por elas.
Por isso eu odeio sentir os sentimentos com títulos impostos.
Principalmente no amor,
Onde o tornam como uma prisão sufocante,
Onde devemos seguir regras que às vezes só funcionam para um dos lados.
Porque uma delas até pode se sentir bem com o amor tradicional,
Porém forçar o outra a escolher entre liberdade e presença pode ser egoísmo de uma parte.
É quase como se você pedisse para que ela reprimisse uma parte de si.
Ela pode até se conter no início,
Mas inevitavelmente se sentira péssima por dentro.
Claro que é responsabilidade dela impor sua vontade e tomar uma decisão,
Só que se vocês estabelecerem acordos que limitam ela, mesmo com consentimento,
Fique ciente que existe a chance dela ter aceitado só por medo de perder quem ama.
E isso desgasta aos poucos até não aguentar mais.
Até mesmo pessoas maduras têm que se abandonar por obrigações,
Porque isso séria o “correto” a se fazer.
Não entendam-me mal,
Obrigações são importantes,
O caso é quando são obrigações que nos levam ao limite.
Eu particularmente escolhi ser não-monogâmico para me libertar dessas correntes,
Mas isso não significa que fico com qualquer um.
Eu me relaciono com pessoas que considero importantes,
Sejam amigos ou pessoas que tenham potencial.
Eu trato todos igualmente em demonstração de carinho,
Apenas a intensidade do sentimento que muda.
Mas isso não significa que não vou querê-las simultaneamente.
Não vou mais me limitar a demonstrar menos carinho só porque é um amigo.
Não vou evitar falar ou agir como quero só porque namoro.
Fica a cargo dos outros escolherem ficar ou partirem se não gostarem da minha forma de amar.
Não vou enganar ninguém sobre a pessoa que realmente sou.
Uma coisa que percebi em alguns relacionamentos passados foi que em alguns deles nos demos bem melhor após o término.
Pois paramos de fingir,
Paramos de aceitar as coisas por obrigação.
Apenas fomos nós mesmos sem medo de machucar um ao outro.
Isso sendo que apenas o título mudou na nossa relação.
Claro que tem casos que as pessoas acabam se afastando,
Mas isso se deve por não saberem lidar com os sentimentos.
Eu consigo manter uma amizade e amar a pessoa do mesmo jeito que antes,
Só que não é assim para muitas pessoas do outro lado.
E isso dói muito.
Mas dói ainda mais me desgastar em algo semi-falso.
Onde os títulos criam responsabilidades que apenas nos prendem,
Nos tornam algo que não somos sem perceber.
Então por esse motivo escolhi a mim mesmo,
Mesmo que isso afaste as pessoas de mim.
E não é porque sou não-monogâmico que não vou respeitar os limites dos outros,
Não são todos que pensam como eu,
Então o mínimo que posso fazer é explicar como eu ajo.
Se isso incomodar eu me afasto,
Mas se me permitirem ser eu mesmo, ficarei por escolha própria.
Thoughts
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PermalinkOxe, mas não-monogâmico também é título, visse. Trocou a etiqueta e a lista de acordos veio junto do mesmo jeito.
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PermalinkTem duas prisões diferentes nesse texto: a regra que vem de fora e o acordo que a própria pessoa aceitou por medo de perder. A segunda me parece a que desgasta de verdade, e nenhum modelo de relação protege dela.
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Tem algo que eu nunca entendi nas relações.