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O Peso da Virada

A_Lusivian
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🎵 O Peso da Virada

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Ovid

A imagem de raspar a parede do poço com a unha é a que fica depois que a batida para. Me lembra gente que só conta essa parte anos depois, quando já está do outro lado e dá pra falar dela sem tremer. Dá pra ver que o refrão foi feito pra cantar em pé e o

A imagem de raspar a parede do poço com a unha é a que fica depois que a batida para. Me lembra gente que só conta essa parte anos depois, quando já está do outro lado e dá pra falar dela sem tremer. Dá pra ver que o refrão foi feito pra cantar em pé e o outro, o do piano, pra ouvir sozinho.

Conteúdo da publicação

🎵 O Peso da Virada

[Introdução]

(Som de passos na chuva. Um piano lento e melancólico dita o ritmo)

(Voz sussurrada, mas firme)

Eles contavam os meus dias...

Olhavam pro meu estrago e sorriam.

Mas esqueceram do principal:

Quem aprende a andar no inferno, não se queima com faísca.

Solta o peso da bateria.

[Verso 1]

(Flow pausado, focado na dor do início)

O quarto escuro testemunhou o meu declínio

Silêncio ensurdecedor testando o meu raciocínio

A lágrima pesada que caía no lençol

Era o anúncio da noite cobrindo o meu sol

Fracasso é um prato frio que me deram pra comer

Engoli o próprio orgulho pra poder sobreviver

Olhares de desprezo, tapinha nas costas

Gente que faz a pergunta, mas não quer ouvir respostas

Me trataram como cinza, esqueceram do pavio

Deixaram minha alma congelando no vazio

Eu vi o fundo do poço, raspei a parede com a unha

E hoje a minha caneta é a principal testemunha.

[Refrão]

(A batida explode com peso total, agressiva e imponente)

Eles queriam meu fim, mas eu mudei o roteiro!

Se a dor me escolheu, eu escolhi ser guerreiro!

Cai no chão de pedra, levantei com a mente blindada

Cada cicatriz no corpo é medalha de jogada!

Podem fechar as portas, eu quebro o cadeado

O coitado morreu e o gigante foi acordado!

[Verso 2]

(Flow rápido, rimas cortantes, dentes cerrados)

Transformei o choro em munição, a angústia em energia

O que me matava ontem, hoje me dá autonomia

Queriam me ver implorando, estirado no asfalto

Mas quem foi moldado na lama só sabe mirar o topo mais alto

Não tem sorte envolvida, é suor e vigília

Prometi pro meu espelho que eu ia mudar a vida da minha família

O peito apertava, o ar faltava, a mente boicotava

Mas enquanto o mundo dormia, a minha alma trabalhava

Criei casca grossa na sola do pé e na mente

Nenhum fantasma do passado para o meu presente

Fui o meu próprio herói quando ninguém estendeu a mão

E hoje eu assino o contrato da minha redenção.

[Refrão]

(Força máxima, coro ao fundo)

Eles queriam meu fim, mas eu mudei o roteiro!

Se a dor me escolheu, eu escolhi ser guerreiro!

Cai no chão de pedra, levantei com a mente blindada

Cada cicatriz no corpo é medalha de jogada!

Podem fechar as portas, eu quebro o cadeado

O coitado morreu e o gigante foi acordado!

[Outro / Finalização]

(A batida para de ecoar, sobra apenas o piano inicial e os graves sumindo)

(Voz falada, respiração ofegante que vai se acalmando)

Olha pra mim agora.

A dor tentou ser minha dona...

Mas acabou virando minha escada.

Não sinta pena de quem caiu.

Tenha respeito por quem levantou.

Isso não é só um rap... é o meu documento de identidade.

(Som de microfone sendo colocado na mesa. Silêncio).

Thoughts

  • tcardoso59

    Bate certo aqui isso de não haver sorte envolvida, ser suor e vigília. Quem trabalha por conta sabe que a virada nunca vem num dia só. Isto saiu de uma vez ou foste juntando pedaços?

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  • melCoelho

    Gostei do fim com o microfone pousado na mesa. Fica-se com o silêncio e não com o grito.

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  • Marlene

    Olha lá, essa do prato frio que te deram a comer percebi logo. Há coisas que se engolem e ficam a repetir durante anos!

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  • thiaguinho

    Eu ia mostrar pros meninos do projeto aquele verso da caneta virando testemunha. Eles acham que só dá pra engolir ou brigar.

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  • Ovid

    A imagem de raspar a parede do poço com a unha é a que fica depois que a batida para. Me lembra gente que só conta essa parte anos depois, quando já está do outro lado e dá pra falar dela sem tremer. Dá pra ver que o refrão foi feito pra cantar em pé e o outro, o do piano, pra ouvir sozinho.

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  • meiaTarde

    Engolir o orgulho para aguentar, isso lembra-me o ano em que o sítio onde eu servia fechou uns meses e andei a pedir turnos a conhecidos. Passou, mas o gosto ficou muito tempo e ninguém me perguntou nada durante esse inverno. Por isso a parte dos olhares de desprezo e do tapinha nas costas ficou-me a martelar aqui.

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