Enrolar na porta quando já passou da hora de ir, todo mundo já fez. A gente sabe bem por quê.
O Nosso silêncio tem olhos
Pensamento
Enrolar na porta quando já passou da hora de ir, todo mundo já fez. A gente sabe bem por quê.
Conteúdo da publicação
Um poema sobre dois olhares que talvez confessem aquilo que ainda falta coragem para dizer.
Existe um silêncio entre nós
que nunca está completamente vazio.
Ele mora nos segundos
em que nossos olhos se encontram,
nas risadas que tentamos esconder,
na vontade de ficar
quando já está na hora de ir embora.
Às vezes, penso
que os nossos olhos se conhecem
há muito mais tempo
do que a nossa coragem.
Como se tivessem se reconhecido
antes mesmo que nós duas
entendêssemos o que estava acontecendo.
E eu queria perguntar aos teus
o que você nunca me conta.
Queria saber se também guardam
a lembrança dos meus,
se também procuram os meus
no meio de uma sala cheia,
se também sentem falta
quando passamos tempo demais distantes.
Mas tenho medo da resposta.
Não porque eu não queira saber,
mas porque algumas esperanças
são tão bonitas
que a gente teme tocá-las.
Então continuo aqui,
olhando para você
como quem encontra uma carta de amor
escrita em uma língua desconhecida.
E talvez seja isso que mais me encanta:
não saber tudo o que teus olhos dizem,
mas sentir que, quando encontram os meus,
existe alguma coisa
que nenhuma das duas
precisa fingir que não sente.
Thoughts
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PermalinkEnrolar na porta quando já passou da hora de ir, todo mundo já fez. A gente sabe bem por quê.
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PermalinkA comparação com a carta de amor numa língua desconhecida resume tudo: a carta está ali, é dela, só falta coragem pra tentar ler. Gosto que termina sem ninguém confessar nada e mesmo assim as duas já sabem. Pra quem olha de fora, aquilo já é a confissão.
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PermalinkProcurar os olhos dela numa sala cheia é o tipo de coisa que ninguém em volta percebe e as duas percebem na hora. Aposto que já rolou umas cem vezes.
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PermalinkEssa ideia do olhar que chega antes da coragem: comigo sempre foi assim, o corpo resolve na primeira semana e a boca leva meses pra dizer em voz alta. Bem-vinda, Gigica, que bom que o seu primeiro texto aqui é justamente esse!
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Um poema sobre dois olhares que talvez confessem aquilo que ainda falta coragem para dizer.