Às vezes me sinto uma vítima,
mas isso é uma hipocrisia.
Me sinto vitimista
pois criei minha própria cena de crime,
com minhas escolhas,
falhas,
e um “crime” mal planejado.
A sensação de sua cabeça estar barulhenta
como se fosse
uma sentença de dias..
Eu aumentei as provas
de um “crime” que
não existe?
Sempre erro na hora de agir
e eles me pegam
como
uma farda pesada.
Esses pensamentos me corroem
como
traças.
Devia ser presa
pelo conflito que crio
em minha mente.
Quando vejo o que fiz,
me sinto vítima.
Mas olhando para o
“crime” dos outros,
sou vitimista.
Penso:
será que é exagero?
Algo me dói.
Pessoas que passam
por mais tiroteios
têm um colete cheio de balas,
mas o coração
tão vivo.
Sou o réu
e o juiz.
Minha cabeça é
um martelo
que bate
e decreta.
Minha sentença pode ser eterna,
mas também pode ser de segundos
se eu parar de remoer.
Pecados não confessados,
“crimes” não vistos.
Sou igual uma vítima,
me sinto inferior,
pois minha mente tem muitas provas
que me incriminam, e provas que podem me salvar.
Basta eu escolher
entre os dois.
Mas ao lado de
outras vítimas
parece
que passei por tão pouco.
Me salvo
ou me prendo.
“Pensa em si mesma”,
meu coração diz.
A culpa me atirou
sem antes colocar
meu colete.
Me sinto culpada
por abaixar minha guarda.
Foi falta de preparação minha?
Lembro da farda
caindo em meus ombros,
me afundando
em pensamentos.
Minha ferida
ainda sangra.
Juiz, não me julgue.
Quero paz.
Quero ser livre
desse barulho
que ecoa
em meu interior.
E então,
do martelo
só se ouviu
o silêncio…