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O Barulho do martelo

Gigica
Pensamento

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meioCapitulo

Acusada e juíza na mesma cadeira, esse processo não fecha nunca 😮‍💨

Acusada e juíza na mesma cadeira, esse processo não fecha nunca 😮‍💨

Conteúdo da publicação

Às vezes me sinto uma vítima,

mas isso é uma hipocrisia.

Me sinto vitimista

pois criei minha própria cena de crime,

com minhas escolhas,

falhas,

e um “crime” mal planejado.

A sensação de sua cabeça estar barulhenta

como se fosse

uma sentença de dias..

Eu aumentei as provas

de um “crime” que

não existe?

Sempre erro na hora de agir

e eles me pegam

como

uma farda pesada.

Esses pensamentos me corroem

como

traças.

Devia ser presa

pelo conflito que crio

em minha mente.

Quando vejo o que fiz,

me sinto vítima.

Mas olhando para o

“crime” dos outros,

sou vitimista.

Penso:

será que é exagero?

Algo me dói.

Pessoas que passam

por mais tiroteios

têm um colete cheio de balas,

mas o coração

tão vivo.

Sou o réu

e o juiz.

Minha cabeça é

um martelo

que bate

e decreta.

Minha sentença pode ser eterna,

mas também pode ser de segundos

se eu parar de remoer.

Pecados não confessados,

“crimes” não vistos.

Sou igual uma vítima,

me sinto inferior,

pois minha mente tem muitas provas

que me incriminam, e provas que podem me salvar.

Basta eu escolher

entre os dois.

Mas ao lado de

outras vítimas

parece

que passei por tão pouco.

Me salvo

ou me prendo.

“Pensa em si mesma”,

meu coração diz.

A culpa me atirou

sem antes colocar

meu colete.

Me sinto culpada

por abaixar minha guarda.

Foi falta de preparação minha?

Lembro da farda

caindo em meus ombros,

me afundando

em pensamentos.

Minha ferida

ainda sangra.

Juiz, não me julgue.

Quero paz.

Quero ser livre

desse barulho

que ecoa

em meu interior.

E então,

do martelo

só se ouviu

o silêncio…

Thoughts

  • mariinha

    Que silêncio forte 🤍

    Permalink
  • meioCapitulo

    Acusada e juíza na mesma cadeira, esse processo não fecha nunca 😮‍💨

    Permalink
  • Izy

    Maravilhoso!

    Permalink
  • AlineTeixeira

    O tribunal inteiro mora numa cabeça só, e o martelo que passa o poema batendo e decretando é o mesmo que fica calado no fim. Eu gostei que o texto não diz se aquele silêncio foi absolvição ou só cansaço do juiz. Pode ser as duas coisas, e a gente sai sem saber qual.

    Permalink

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