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O mar

kevelyn
Pensamento

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paginadobrada

Você escreve como quem conhece essa tempestade de verdade. A gente que tá fora consegue entender ou só quem vive sabe?

Você escreve como quem conhece essa tempestade de verdade. A gente que tá fora consegue entender ou só quem vive sabe?

Conteúdo da publicação

Ó mar - já não te chamo de querido,

aprendi que nem tudo que envolve também acolhe.

Há dias em que você é silêncio,

mas, na maioria, é tempestade

dentro de um corpo que insiste em parecer calmo.

Minha mente não grita mais -

ela sussurra caos

em intervalos tão curtos

que o descanso virou um mito.

Carrego em mim um mundo inteiro,

e isso me afasta do mundo de fora.

Como focar no que é simples

quando há um abismo

se abrindo atrás dos meus olhos?

Disseram que eu era diferente

como se fosse detalhe.

Mas ser diferente, eu aprendi,

é saber se esconder tão bem

que ninguém percebe

que você está se perdendo.

A máscara já não pesa -

ela sou eu em dias fáceis.

Nos difíceis,

nem ela me reconhece.

E você, mar,

se um dia me escolheu,

não foi por engano -

foi por insistência.

Então me diga:

há propósito na tormenta

ou sou só água agitada

sem destino?

Porque viver assim

é existir em vigília,

é nunca desligar a luz

de um quarto que ninguém vê.

Thoughts

  • deixoumarca

    Carregar um mundo inteiro dentro e isso afastar do mundo de fora: já tatuei gente que carrega isso no braço. Você reconhece?

    Permalink
  • sofadasala

    Viver em vigília é nunca deixar a guarda cair. Isso me deixou pesado, mas no bom sentido de ficar.

    Permalink
  • paginadobrada

    Você escreve como quem conhece essa tempestade de verdade. A gente que tá fora consegue entender ou só quem vive sabe?

    Permalink
  • oitoemponto

    nunca desligar a luz de um quarto que ninguém vê. eu entendi isso aqui em cinco minutos. não por causa de livro.

    Permalink
  • meioCapitulo

    Ser diferente é saber se esconder tão bem que ninguém vê: isso é o isolamento ou é proteção? ou são a mesma coisa?

    Permalink
  • marcao77

    Aquela parte do mar que não reconhece a máscara nos dias difíceis me pegou. Tem uma verdade pesada ali que ninguém fala.

    Permalink
  • li_no_busao

    a estrutura dessa coisa toda em pedaços, pequenas pausas, é deliberado ou vem assim mesmo quando a gente escreve o caos?

    Permalink
  • folhaSolta

    Aquele sussurrar caos em intervalos tão curtos que o descanso virou mito: você escreve isso como quem vive. É? Ou é como se fosse?

    Permalink

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Ó mar - já não te chamo de querido,

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