Os 330,4 mil milhões impressionam, mas faltava dizer de onde vem o número e de que ano é, porque o stock mexe muito a cada emenda. E chamar-lhe calote dá a ideia de que ninguém paga, quando o problema que o texto descreve é a fila, o tempo e quem morre nela. Eu chamava-lhe um empréstimo forçado ao Estado, a juro baixo, que o credor nunca pediu para fazer.
O labirinto dos precatórios: O calote institucionalizado do Estado Brasileiro.
Pensamento
Os 330,4 mil milhões impressionam, mas faltava dizer de onde vem o número e de que ano é, porque o stock mexe muito a cada emenda. E chamar-lhe calote dá a ideia de que ninguém paga, quando o problema que o texto descreve é a fila, o tempo e quem morre ne
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A concessão de um ganho de causa contra o poder público no Brasil deveria representar a garantia da justiça, mas se transformou em um calote velado e institucionalizado nas três instâncias políticas (União, Estados e Municípios). Quando a Justiça reconhece definitivamente que o Estado deve ao cidadão, o pagamento deveria ser imediato. No entanto, além da lentidão habitual dos julgamentos, o credor enfrenta uma fila que se arrasta por anos a fio devido ao estoque astronômico da dívida pública, que atinge a marca de R$ 330,4 bilhões acumulados no país.
Desse montante, Estados e Municípios respondem por R$ 261,7 bilhões (79% do total), gerando tempos de espera na fila cronológica pode chegar aos 15 anos em locais como São Paulo. Na esfera federal, a União também acumula gargalos significativos, registrando projeções de R$ 69,7 bilhões em novos precatórios. Essa demora imposta por sucessivas manobras fiscais e adiamentos gera um efeito trágico: a espera e as atualizações frequentemente encontram o beneficiário original morto. Milhares de idosos e doentes graves falecem na fila aguardando verbas de natureza alimentar (salários e aposentadorias retidas). Para piorar, as regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinam que, com a morte do credor, os herdeiros perdem o direito à prioridade da fila, sendo jogados novamente na fila comum e aguardando décadas. Esse cenário expõe o desdém de um Estado que, em vez de proteger o indivíduo, usa suas prerrogativas para massacrá-lo com um calote sem prazo para acabar.
A maioria dos brasileiros enfrentando o abandono de quem os deveria proteger.
Thoughts
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PermalinkMinha avó esperou anos por uma revisão do INSS e ninguém aqui em casa sabia nem o nome disso. Tu tem alguém nessa fila?
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PermalinkOs 330,4 mil milhões impressionam, mas faltava dizer de onde vem o número e de que ano é, porque o stock mexe muito a cada emenda. E chamar-lhe calote dá a ideia de que ninguém paga, quando o problema que o texto descreve é a fila, o tempo e quem morre nela. Eu chamava-lhe um empréstimo forçado ao Estado, a juro baixo, que o credor nunca pediu para fazer.
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