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O homem substituído

BeneditoMoraisdeCarvalho

Conteúdo da publicação

Em 2126, o campo é de ferro,

a bola é engrenagem,

o chute é feito por pernas hidráulicas,

e o gol vibrado em circuitos elétricos.

O homem?

Peça obsoleta,

manual de instruções esquecido

numa biblioteca empoeirada.

O robô dança samba em algoritmos,

faz amor com engrenagens,

gera filhos metálicos

movidos a cachaça e óleo diesel.

Pensar já não é humano:

é cálculo,

é lógica fria,

é poesia em código binário.

O futuro não tem músculo,

tem aço.

Não tem sangue,

tem combustível.

Não tem coração,

tem um transistor pulsando.

E o homem,

que um dia sonhou dominar a máquina,

descansa agora

como mito arqueológico,

um fóssil de caborno

na era do aço inoxidável.

Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)

Thoughts

  • piadaRuim

    Robô movido a cachaça e óleo diesel é o primeiro futuro que eu acho realista. Essa mistura aí já roda em muito boteco faz tempo.

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