Na forma antiga é direito, e não certo, por linhas tortas. Já era provérbio velho quando o Claudel o pôs em português à cabeça do Soulier de satin, em 1929.
O fim ou um recomeço? Pergunta Respondida
21/09/2026
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Pensamento
Na forma antiga é direito, e não certo, por linhas tortas. Já era provérbio velho quando o Claudel o pôs em português à cabeça do Soulier de satin, em 1929.
Conteúdo da publicação
21/09/2026
Finalmente, o que para mim era impossível aconteceu: ela se foi.
E como eu estou? Sinceramente, não sei dizer. Essas últimas semanas têm sido tão dolorosas que agora eu nem sei dizer se ainda dói. É como uma criança que se desespera quando vê uma injeção, mas, na hora em que finalmente toma a vacina, percebe que a dor não era para tanto. É praticamente assim que eu me sinto agora.
Por incrível que pareça, estou lidando bem com a situação. Tentei até o fim mudar isso e não consegui. Só Deus sabe o quanto me doeu ver e ouvir coisas que me destruíram completamente e, mesmo assim, conter todo o meu orgulho para que a gente pudesse seguir.
Mas, enfim, a vida é assim: um eterno ciclo de começos, fins e recomeços.
Talvez isso seja muito bom para mim e para ela.
Nunca fui um homem de muita fé. Na verdade, sempre tive minhas dúvidas, minhas revoltas e muitas vezes questionei a existência de Deus. Nunca fui aquele homem que sabia orar quando tudo estava bem, muito menos aquele que conseguia enxergar Deus em cada acontecimento da vida. Talvez porque, enquanto tudo estava de pé, eu achasse que conseguia carregar tudo sozinho.
Mas esse ano me mostrou que eu não consigo.
Esse ano tem sido muito difícil, para não dizer impossível. Passei por tantas coisas, tanta dor. Minha saúde física e mental nunca esteve tão ruim. Perdi emprego, coisas materiais, minha saúde, minha dignidade, a pessoa que eu mais amei e, o pior de tudo, aquela vontade de viver a vida. Hoje, não tenho vontade e não consigo fazer nada do que eu queria.
E quando tudo aquilo em que eu confiava começou a desmoronar, percebi que não tinha mais para onde correr. Foi justamente no momento em que me senti mais fraco, mais perdido e mais distante de quem eu queria ser que comecei a procurar Deus de verdade.
Não foi porque minha vida ficou fácil. Foi justamente o contrário.
Comecei a me apegar às Escrituras não porque entendo tudo o que está escrito, mas porque, pela primeira vez, algumas palavras pareciam conversar diretamente com aquilo que eu estava vivendo. Comecei a enxergar que talvez a fé não seja ter todas as respostas, mas continuar caminhando mesmo quando não se entende o caminho.
Não me comparando — não chego nem aos pés de Jó —, mas talvez eu esteja começando a entender um pouco do que significa permanecer quando tudo ao redor parece estar sendo tirado de nós.
Talvez seja por isso que, mesmo sem entender os planos de Deus, eu esteja tentando confiar neles.
Deus escreve certo por linhas tortas. O caminho é Ele. Sou muito pequeno para entender os planos do Altíssimo para as nossas vidas. Muitas vezes vou questionar, muitas vezes vou sentir raiva, medo e tristeza, mas hoje consigo dizer que não quero mais carregar tudo sozinho.
Talvez essa separação tenha sido apenas mais uma coisa que eu precisava perder para perceber algo que durante muito tempo ignorei: eu estava tentando encontrar sentido em pessoas, coisas e situações que nunca poderiam preencher aquilo que somente Deus poderia preencher.
Não sei o que Ele tem preparado para mim. Não sei se o que estou vivendo é um castigo, uma consequência, uma lição ou simplesmente uma parte da vida que precisava acontecer. E, sinceramente, talvez eu nunca descubra.
Mas sei que Ele esteve comigo quando eu não percebi. Esteve quando eu estava feliz, quando eu estava perdido, quando eu errei e, principalmente, quando eu achei que não conseguiria continuar.
A Ti entrego minha vida, Senhor Jesus. Sei que não mereço, mas a Tua graça me alcançou. Eu me rendo ao Teu amor.
Pois, como o Senhor mesmo disse em João 14:6:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”
Talvez eu ainda não consiga enxergar o que vem depois disso. Talvez eu ainda chore, talvez ainda sinta falta, talvez ainda existam dias em que tudo pareça pesado demais. Mas, pela primeira vez em muito tempo, não quero tentar controlar o que Deus já decidiu.
Se esse foi o fim de uma história, que Ele me dê forças para aceitar. E, se for um recomeço, que eu tenha fé para descobrir quem eu posso me tornar depois de tudo isso.
Talvez hoje eu esteja perdendo uma vida que conhecia, para finalmente começar a construir uma vida que ainda não conheço.
Respostas
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Resposta aceita
PermalinkO pior pra mim também foram as semanas de antes, do jeito que você contou. Depois que a porta fecha fica um silêncio que nem sei chamar de dor.
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PermalinkNa forma antiga é direito, e não certo, por linhas tortas. Já era provérbio velho quando o Claudel o pôs em português à cabeça do Soulier de satin, em 1929.
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PermalinkMano, a da injeção é real, o medo sempre dói mais que a agulha. Tamo junto
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PermalinkA criança que se desespera antes da injeção e depois vê que a dor não era para tanto me fez pensar em quanto a espera pesa mais que a notícia. Dá pra ver que você escreveu isso no mesmo dia, com a data lá em cima e tudo ainda fresco. Obrigado por confiar isso aqui, a gente lê com cuidado.
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PermalinkComeçar a procurar Deus de verdade justo no ano em que tudo desmoronou é a coisa mais comum que eu já vi em homem da minha idade, e quase ninguém admite por escrito. Na cidade pequena a igreja enche é de quem ficou sem saída. Meu palpite é que essa data no topo vai virar um marco pra você, igual aniversário.
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