No centro da cidade de Recife,
o beco vive sua vida torta.
Todo mijado, sujo e sem cacife,
ninguém lhe abre uma porta.
As ruas gritam, cheias de buzinas,
o beco chora: "Sou apenas ruína!,
E ainda protesta, num tom sem fim:
"Além de esquecido... mijam em mim!".
Mas ri de si mesmo, sem rancor:
"Sou curto e torto, mas guardo humor".
Quem passa descobre, sem ter engano,
que o beco é pequeno, mas é humano.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)