Tenho sessenta e três anos e li isso duas vezes de manhã. Também tem uma casa que eu passei na frente uma vez, uns quarenta anos atrás, e não bati. A gente lembra do dia em que criou coragem.
O Amor Que Não Vivemos
Pensamento
Tenho sessenta e três anos e li isso duas vezes de manhã. Também tem uma casa que eu passei na frente uma vez, uns quarenta anos atrás, e não bati. A gente lembra do dia em que criou coragem.
Conteúdo da publicação
Hoje te vi.
E por alguns segundos,
o tempo pareceu esquecer de passar.
Olhei para você
e procurei aquela menina
que um dia morou nos meus sonhos,
aquela menina que eu amei
sem nunca ter tido o direito de chamar de amor.
Faz tantos anos...
Naquele verão,
eu acordei diferente.
Acordei feliz,
como se o mundo tivesse sido feito
só para aquele dia.
Coloquei meu melhor perfume,
escolhi uma música,
e fui até a sua casa
com o coração cheio de coragem
e uma vontade simples:
te pedir um beijo.
Eu pedi.
Você não deu.
E talvez tenha sido ali
que nasceu a nossa história mais estranha:
uma história que nunca começou,
mas que nunca terminou dentro de mim.
Éramos adolescentes,
tínhamos o mundo inteiro pela frente
e não sabíamos que o tempo
era justamente aquilo que não teríamos.
Hoje te encontrei novamente.
Mas você estava tão distante...
não apenas de mim,
mas daquele tempo.
Havia marcas no seu rosto,
cabelos brancos,
pequenos sinais de todos os anos
que passaram sem que nós percebêssemos.
E eu também mudei.
Somos dois desconhecidos
carregando no corpo
as marcas de uma vida
que não vivemos juntos.
Ainda assim,
algumas coisas permanecem.
A lua continua lá.
Os gatos continuam passando.
A mesma rua ainda existe.
E, por um instante,
eu quis voltar.
Não para mudar o que aconteceu,
mas para descobrir
o que teria acontecido
se a vida tivesse dito sim.
Como seria o sabor da sua boca?
Como seriam nossas manhãs?
Nossas brigas?
Nossos abraços?
Os filhos que talvez nunca tivemos?
As fotografias que nunca tiramos?
As histórias que nunca contamos?
Talvez esse seja o maior mistério
de um amor que não existiu:
ele não envelhece.
Enquanto nós ganhamos cabelos brancos,
ele continua adolescente.
Continua naquele verão.
Naquele perfume.
Naquela música.
Naquele garoto indo até sua casa
acreditando que, naquele dia,
poderia começar uma vida inteira.
Mas a vida não começou.
E hoje, quando te vi,
percebi que talvez o que mais dói
não seja ter perdido você.
É sentir saudade
de alguém que nunca foi minha
e de uma vida inteira
que nunca tivemos.
E talvez, em alguma outra vida,
naquela mesma rua,
sob a mesma lua,
eu finalmente tenha recebido
o beijo que esperei
por tantos anos.
Thoughts
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PermalinkTenho sessenta e três anos e li isso duas vezes de manhã. Também tem uma casa que eu passei na frente uma vez, uns quarenta anos atrás, e não bati. A gente lembra do dia em que criou coragem.
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PermalinkFiquei com a ideia de que foste ali ver se aquele verão ainda estava em algum sítio daquela rua, e encontraste só a rua. Se calhar engano-me, mas foi assim que isto me ficou.
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Permalinkvocê é um gênio da escrita, mente brilhante! parabéns, você conseguiu demonstrar sentimento na escrita, isso é lindo demais!!! 👏👏❤️
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PermalinkA lua continua lá, os gatos continuam passando. Fiquei parada nessa parte. A rua fica igual e quem envelhece somos nós, e deu um aperto bom.
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