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Tantas mortes em uma só vida

NicMiranda
Pública 0 conversa 1 pensamento 8 votos positivos 7 votos negativos 0 série 115 visualizações

Morri tantas vezes (sinto que não reencontro esta vida desconhecida e indisculpável). Morri pelo descuido medíocre de não gritar as dores que me consumiram em uma segunda-feira sem roteiros — uma segunda cheia de mistérios por conviver comigo mesma. Morri por negar um banho de chuva capaz de gerar esperanças e alívio das amarras de reprises da mente: recordei-me da infância perdida. A infância que acreditou nas possibilidades vastas. Fui uma criança alegre; aquela que nunca deu "trabalho"; a cr

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Tantas mortes em uma só vida

Morri tantas vezes (sinto que não reencontro esta vida desconhecida e indisculpável). Morri pelo descuido medíocre de não gritar as dores que me consumiram em uma segunda-feira sem roteiros — uma segunda cheia de mistérios por conviver comigo mesma. Morri por negar um banho de chuva capaz de gerar esperanças e alívio das amarras de reprises da mente: recordei-me da infância perdida. A infância que acreditou nas possibilidades vastas. Fui uma criança alegre; aquela que nunca deu "trabalho"; a criança sempre disposta a ajudar, mas a que chamaram seus lamentos de idiotices. Além disso, uma das minhas mortes mais horrorosas foi seguir de forma tão responsável. — Responsável? Como? Não separei horários para os risos espontâneos... não provei perder-se na emergência de imaginar! Morri e continuo. Estou aprendendo a viver.

Thoughts

  • tomista_de_bancada

    Esse 'aprendendo a viver' no final diz tudo. Depois de tantas mortes, voltar pro que era alegre é corajoso.

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