Tantas mortes em uma só vida
Morri tantas vezes (sinto que não reencontro esta vida desconhecida e indisculpável). Morri pelo descuido medíocre de não gritar as dores que me consumiram em uma segunda-feira sem roteiros — uma segunda cheia de mistérios por conviver comigo mesma. Morri por negar um banho de chuva capaz de gerar esperanças e alívio das amarras de reprises da mente: recordei-me da infância perdida. A infância que acreditou nas possibilidades vastas. Fui uma criança alegre; aquela que nunca deu "trabalho"; a criança sempre disposta a ajudar, mas a que chamaram seus lamentos de idiotices. Além disso, uma das minhas mortes mais horrorosas foi seguir de forma tão responsável. — Responsável? Como? Não separei horários para os risos espontâneos... não provei perder-se na emergência de imaginar! Morri e continuo. Estou aprendendo a viver.