É estranho estar prestes a sair dos 30 e perceber que, quando eu era mais novo, imaginava essa idade como uma espécie de linha de chegada. Aos 30 eu teria entendido a vida, teria uma profissão, dinheiro, estabilidade, talvez uma casa, planos muito bem organizados e aquela segurança que os adultos pareciam ter quando eu era criança.
O problema é que agora eu estou aqui: Recém-formado, e não me sinto nem um pouco como aquele adulto que eu imaginava.
Às vezes bate uma nostalgia absurda de quando as coisas pareciam menores, não necessariamente melhores, porque provavelmente não eram, mas menores. Meus problemas cabiam dentro de um dia, existia alguma coisa muito confortável em não precisar saber exatamente para onde eu estava indo e eu podia mudar de ideia, começar alguma coisa e abandonar depois, sonhar com dez futuros diferentes porque nenhum deles precisava acontecer amanhã.
Agora o amanhã chegou.
E existe um medo que eu guardo dentro de mim, o medo do: e se eu fracassar?
Não aquele fracasso cinematográfico, em que tudo desmorona de uma vez na vida do protagonista, eu tenho mais medo daquele fracasso silencioso: o de acordar daqui a cinco anos e perceber que fiquei parado, o de olhar para pessoas da minha idade construindo suas vidas e sentir que todo mundo recebeu algum manual que esqueceram de entregar para mim, o de descobrir que passei tantos anos estudando para chegar até aqui e, quando finalmente cheguei, não saber o que fazer com tudo isso.
Talvez seja por isso que a nostalgia apareça tanto.
O passado tem uma vantagem completamente injusta: ele já aconteceu, e não existe ansiedade sobre aquilo que já passou... Eu sei quais amizades sobreviveram, quais pessoas foram embora, quais escolhas deram errado e quais momentos acabaram se tornando importantes sem que eu percebesse na época, eu posso visitar essas lembranças sem precisar decidir nada.
O futuro não oferece esse conforto.
E estar recém-formado torna tudo ainda mais estranho, porque durante muito tempo existia uma resposta simples quando alguém perguntava o que eu estava fazendo da vida: eu estava estudando, existia um próximo semestre, uma próxima prova, uma próxima etapa, e mesmo cansado, havia um caminho desenhado.
Agora existe liberdade e eu descobri que liberdade também dá medo, porque finalmente posso escolher para onde ir, mas isso significa que também posso escolher errado. Talvez crescer seja justamente descobrir que aquela segurança que eu enxergava nos adultos nunca existiu de verdade: Eles também estavam improvisando, também fizeram escolhas com medo, também olharam para pessoas da mesma idade e acharam que estavam atrasados.
Eu só não conseguia perceber.
Talvez eu não esteja saindo dos 30 atrasado, talvez eu esteja simplesmente saindo com algumas cicatrizes, algumas saudades, um diploma na mão e muito menos certeza do que imaginei que teria. Ainda com sonhos que parecem grandes demais e aquele medo infantil de não ser bom o suficiente para realizá-los, mas existe algo bonito nisso também.
Porque se eu ainda tenho medo de fracassar, significa que ainda existe alguma coisa que eu quero muito que dê certo. E talvez meus 31 não precisem ser a idade em que finalmente terei todas as respostas, talvez possam ser apenas o começo da época em que finalmente serei eu quem fará as perguntas.