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O agora - capitulo 6 Quando vi as duas juntas

AllyneMaia
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Eu estava mais nervoso do que queria admitir.

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Conteúdo da publicação

QUANDO VI AS DUAS JUNTAS

Eu estava mais nervoso do que queria admitir.

Durante todo o caminho até o parque, tentei agir naturalmente.

Mas havia uma pergunta que não saía da minha cabeça:

E se minha filha não gostar dela?

Eu sabia que não poderia controlar aquilo.

E nem deveria.

Minha filha não tinha obrigação de gostar de alguém apenas porque eu gostava.

Ela tinha o direito de observar.

De desconfiar.

De fazer perguntas.

De levar o tempo que precisasse.

E, justamente por saber disso, eu não queria transformar aquele encontro em um teste.

Não queria que ela sentisse que precisava aprovar alguma coisa.

Queria apenas que as duas se conhecessem.

Quando fiz a apresentação, fiquei atento.

Talvez atento demais.

Observei o olhar da minha filha.

Depois olhei para ela.

Ela parecia tão nervosa quanto eu.

Mas tentou esconder.

Sorriu.

Falou com calma.

E não tentou conquistar minha filha com exageros.

Aquilo me tranquilizou.

Depois de alguns minutos, minha filha pediu para brincar.

Eu quase respirei aliviado.

Ela foi.

E nós ficamos conversando.

— Está tudo bem? — perguntei.

Ela sorriu.

— Acho que estou mais nervosa do que deveria.

— Eu também.

Ela me olhou surpresa.

— Você?

— Muito.

Ela riu.

Foi bom admitir.

Porque eu percebi que não era só ela que estava entrando em território desconhecido.

Eu também.

Eu estava colocando duas partes diferentes da minha vida diante dos meus olhos.

E não sabia exatamente como elas se encontrariam.

Então aconteceu algo que eu não planejei.

Minha filha voltou para perto dela.

Começou a contar alguma coisa.

Ela fez uma pergunta.

Minha filha respondeu.

Depois outra.

E, aos poucos, as duas começaram a conversar.

Fiquei observando de longe.

Minha filha começou a rir.

Ela também.

Depois minha filha chamou-a para participar de uma brincadeira.

Eu quase interferi.

Mas parei.

Não precisava.

As duas estavam encontrando o próprio jeito de se aproximar.

Vi minha filha tentar ensinar uma brincadeira.

Vi ela errar.

Vi minha filha rir.

E vi as duas tentarem novamente.

Era uma cena simples.

Talvez insignificante para qualquer outra pessoa.

Para mim, não.

Eu senti um alívio que não sabia que estava carregando.

Não porque minha filha tivesse gostado dela imediatamente.

Mas porque estava confortável o suficiente para ser criança.

E ela estava confortável o suficiente para não tentar ocupar um lugar que não lhe pertencia.

Aquele detalhe significou muito.

Em determinado momento, minha filha veio até mim.

— Ela vai voltar?

Olhei para minha filha.

Depois para ela, que estava alguns metros distante.

— Você quer que ela volte?

Minha filha pensou por alguns segundos.

— Quero.

Eu sorri.

— Então acho que sim.

Quando voltei a olhar para ela, nossos olhos se encontraram.

Ela sorriu.

E eu entendi que aquele encontro tinha sido muito mais importante do que eu imaginava.

Não era sobre apresentar uma mulher à minha filha.

Era sobre permitir que duas pessoas que eu queria na minha vida começassem, aos poucos, a conhecer uma à outra.

Sem pressa.

Sem cobranças.

Sem tentar forçar uma relação.

Naquele dia, também percebi algo sobre ela.

Ela tinha medo.

Medo de não ser aceita.

Medo de não encontrar espaço.

Mas, mesmo insegura, teve cuidado.

Não tentou competir.

Não tentou substituir ninguém.

Não tentou se colocar como alguém que precisava ser escolhida.

Apenas esteve ali.

E isso me fez admirá-la ainda mais.

Na volta para casa, minha filha falou várias vezes sobre o passeio.

Contou novamente algumas das brincadeiras.

Perguntou quando poderiam voltar.

Eu respondia, mas minha cabeça estava em outro lugar.

Eu pensava nela.

Pensava no sorriso que apareceu quando minha filha começou a conversar.

Pensava na maneira como ela a tratou.

E pensei também em mim.

Durante muito tempo, tive medo de que minha vida fosse complicada demais para alguém.

Naquele dia, pela primeira vez, comecei a acreditar que talvez eu não precisasse encontrar alguém disposto a ignorar as complicações.

Precisava encontrar alguém disposto a conhecê-las.

E ela estava fazendo isso.

Devagar.

Sem exigir certezas que eu ainda não podia oferecer.

Quando chegamos, antes de ir embora, minha filha perguntou mais uma vez:

— Ela vai voltar com a gente outro dia?

Olhei para ela.

Sorri.

— Acho que sim.

E, enquanto eu dizia aquilo, percebi que havia algo diferente dentro de mim.

Até então, eu tinha medo de decepcioná-la.

Agora havia outro medo.

O medo de não saber cuidar direito daquela nova fase.

Porque, pela primeira vez, eu conseguia enxergar uma possibilidade que antes parecia impossível:

não apenas reencontrar uma mulher que eu havia amado no passado,

mas construir, com ela, um lugar no presente.

E talvez aquele parque, entre brinquedos, risadas e uma conversa simples, tivesse sido o primeiro sinal de que a nossa história não precisava caber apenas em nós dois.

Ela poderia, com o tempo, fazer parte da vida que eu já tinha.

E eu aprenderia a fazer parte da vida que ela construiu.

Sem pressa.

Sem apagar o que veio antes.

Apenas acrescentando, pouco a pouco, algo novo.

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