Coisas que antes eu somente não sabia.
O perigo mora ao lado. Certa vez ouvi esta frase e fez total sentido para mim. Coisas que antes eu somente não sabia e agora eu sei. Agora sei que o perigo pode estar mais próximo do que a gente imagina. O perigo pode ser o mais próximo e a gente nem sabe, mas uma hora a gente somente sabe.
De repente a gente sabe que o irmão do seu pai é um perigo, de repente a gente sabe que o namorado da sua mãe é um perigo, de repente a gente sabe que seu marido é um perigo. De repente a gente sabe coisas que antes, somente não sabia.
O fato de você saber não quer dizer muita coisa, somente que você sabe. O que vem depois daí é uma sequência de decisões: você decide se continua aí, nesse espaço de perigo, se sinaliza com o símbolo de perigo, se se afasta do perigo, se fala do perigo para terceiros… decisões que nem sempre são fáceis.
Ir ao fórum, fazer a denúncia, encarar o perigo cara a cara, várias vezes por sinal, falar infinitas vezes que o perigo mora ao lado, provar que o perigo mora ao lado, esperar inúmeros vácuos sem respostas… Dizem que existe beleza na espera, mas eu sei que a espera é insuportável para quem presenciou o perigo.
São coisas que antes eu somente não sabia e agora eu sei. Segui um caminho diferente e longo para provar que o perigo mora ao lado. Decisões difíceis, escolhas complexas com consequências devastadoras. Primeiro, liguei para o número 100, lembro como se fosse ontem, vergonha, medo, insegurança, sentimentos que inundavam minha alma naquele momento.
Essa denúncia é federal e demorou muito tempo até chegar à instância estadual, mas chegou. Em seguida, foi encaminhado para a instância municipal e aí sim, tudo começou… Várias vezes, provando que o perigo mora ao lado, provando que eu decidi sair do espaço de perigo, mas não apenas, também sinalizei o espaço com o símbolo do perigo.
A espera continua, apesar de todas as provas de que o perigo está bem perto. Não há beleza nessa espera, apenas coisas que antes eu não sabia e agora sei.